O cessar de Moscou tem sido marcado por sanções ocidentais que, segundo o enviado especial da UE, têm efeito significativo sobre a economia russa. Em entrevista exclusiva, David O’Sullivan afirma que o impacto é real, ainda que as medidas não sejam uma solução única e enfrentem evasão.
O’Sullivan concedeu o relato pouco antes da passagem de quatro anos desde a invasão da Ucrânia. Ele, veterano funcionário irlandês, diz que a construção da economia de guerra distorce o tecido civil e pode tornar o modelo insustentável no decorrer de 2026.
Segundo o enviado, a Rússia intensificou ataques à infraestrutura energética da Ucrânia neste inverno, enquanto Kyiv registra temperaturas extremas. Dados de fontes ucranianas indicam aumento na capacidade de drones e mísseis lançados pela Rússia.
Efeito econômico e arrecadação
A pressão econômica inclui queda de receitas com petróleo e gás, inflação próxima de 6% e juros elevados. O orçamento federal russo tem visto receitas reduzidas desde o início do ano, sinalizando o peso da guerra sobre a macroeconomia.
O’Sullivan, nomeado em 2022 para coordenar a implementação de sanções, destaca que houve avanços na forma de evitar reexportação de produtos críticos para armas. A União Europeia aponta especialmente para países de trânsito como China, Cazaquistão e Turquia.
A opinião pública internacional diverge sobre a eficácia da estratégia. Nos EUA, críticas surgiram em relação a acordos com a Índia que poderiam sustentar compras de petróleo russo, enquanto a UE reforça ações para limitar o fluxo tecnológico.
Caminhos e contrapesos
Oficial da UE ressalta que a evasão ocorre principalmente por operadores econômicos, não por ordens governamentais. A China é apontada como exceção, oferecendo apoio sem fornecimento direto de hardware militar.
O’Sullivan destaca ações contra a frota sombra de navios que transportam petróleo russo, com quase 600 embarcações sob sanções até dezembro. Em registros, muitos países já removeram bandeiras de embarcações sancionadas.
A estratégia europeia permanece centrada em 300 itens de alta prioridade, incluindo componentes de tecnologia que aparecem em drones, mísseis e helicópteros russos. A coordenação com Estados-membros envolve maior vigilância de cadeias de suprimento.
India é citada como parceira econômica de peso, com ganhos potenciais para diplomacia e comércio, mesmo diante de divergências políticas. A UE pondera que o engajamento pode trazer benefícios, como controle de fluxo de tecnologia.
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