O estudo da Independent Commission on Neighbourhoods (Icon) aponta que as comunidades mais pobres da Inglaterra possuem 70% mais lojas de vape, tabacarias e casas de apostas do que as áreas mais ricas. A pesquisa também revela mais estabelecimentos de venda de comida pouco saudável e vacâncias elevadas nesses bairros.
Conduzido pela co-presidente Helen Armstrong e outros especialistas, o relatório destaca que a atenção dada aos centros urbanos pode deixar para trás bairros periféricos, onde o comércio local desempenha papel crucial para as famílias. Em áreas carentes, a oferta de serviços também é menor.
A pesquisa, que será publicada nesta segunda-feira, analisa paradas de comércio locais — os “parques de compras” da vizinhança — como espaços centrais para a vida comunitária. Os resultados indicam que esses corredores possuem menos creches e espaços de socialização, além de maior ociosidade de vagas.
Desdobramentos
Em áreas pobres, o número de vagas em lojas e imóveis ociosos fica bastante acima do observado em distritos mais ricos, com 8,1% frente a 5,9%. A Icon aponta que cerca de 13 a 16 ministérios podem ter políticas sobre esses espaços de forma fragmentada, dificultando ações coordenadas.
Autoridades destacaram que o governo de Keir Starmer tem priorizado a revitalização de ruas principais, incluindo o programa Pride in Place para transformar 284 áreas do país. O plano envolve recuperação de unidades fechadas e aquisição de bens locais, como bibliotecas e cinemas.
Especialistas mencionam que a concentração de serviços inadequados contribui para o desânimo da população local e para a migração de atividades comerciais para plataformas online. Pesquisas vinculam esse fenômeno à queda de orgulho nas comunidades e ao sentimento de abandono estratégico de áreas de baixa renda.
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