As ações da Eneva caíram significativamente nesta terça-feira, 10, após a Aneel divulgar preços teto para os leilões de reserva de capacidade bem abaixo do esperado. O teto define o valor máximo que o governo está disposto a pagar para contratar usinas que mantenham funcionamento para atender o sistema quando houver demanda adicional.
Por volta de 11h10, os papéis da empresa registravam baixa de cerca de 17,5%, a R$ 18,10, com a pior performance entre as ações do Ibovespa. Na mínima do dia, houve queda de 19,3%, para R$ 17,70. Às 14h, houve recuperação, com o recuo reduzido a 14% e cotações em torno de R$ 19.
A Aneel estabeleceu preços teto de R$ 1,12 milhão por MW ao ano para usinas termelétricas existentes, R$ 1,6 milhão/MW/ano para novos empreendimentos termelétricos e R$ 1,4 milhão/MW/ano para expansões de hidrelétricas. Os valores ficam aquém do patamar mínimo de R$ 3,1 milhões por MW por ano considerado necessário para remunerar projetos novos a gás com TIR real de 10%, aponta nota do Citi aos clientes.
Percepção de analistas e impacto no setor
O Citi viu os patamares atuais como um entrave significativo para a recontratação de nova capacidade. Caso a Eneva recontrate apenas a capacidade existente ao teto e não inclua a Celse II, o preço-alvo da companhia poderia recuar para cerca de R$ 20 por ação, ante R$ 25 atuais.
Analistas do UBS BB indicaram que os preços sugeridos equivalem a aproximadamente R$ 182/MWh para novos empreendimentos e R$ 128/MWh para usinas existentes, bem abaixo das estimativas do banco e do consenso, que variam entre R$ 220/MWh e R$ 300/MWh. Em nota, classificaram os números como muito negativos para a Eneva.
Leilões programados e contexto de mercado
No mesmo dia, as ações da Eneva já vinham reagindo a mudanças anteriores de regras no leilão, que reduziram custos para usinas conectadas à malha de gás, aumentando a concorrência e beneficiando empresas como Petrobras.
Dois grandes leilões estão previstos para março, com foco em ampliar a oferta de energia de usinas termelétricas e hidrelétricas. A medida é vista como essencial para reduzir riscos de suprimento diante da maior participação de fontes não controláveis na matriz. Entre os potenciais participantes estão grandes geradores como Âmbar, Eneva e Petrobras, além de expor oportunidades para hidrelétricas viabilizarem expansões.
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