Vários grupos de visitantes estão sendo realocados para hotéis de categoria superior à medida que Cuba enfrenta uma crise energética, com interrupção no abastecimento de combustível para aviação e queda de voos. A ilha sinalizou que já não dispõe de combustível suficiente para aeronaves comerciais, provocando reações das companhias aéreas e impactos no setor turístico, principal fonte de divisas.
Aerolíneas como Air Canada anunciaram suspensão até maio, enquanto Iberia mantém voos com opções de devolução e reemissão. Air Europa também planeja paradas técnicas em Santo Domingo para reabastecimento; apenas Aeroméxico não alterou operações. Em Havana, o hotel Metrópolis foi fechado temporariamente após instruções de contingência.
David Torres, funcionário do Metrópolis, descreveu o anúncio de apagar os sistemas do hotel e encerrar atividades como um choque para a equipe. Vários hotéis que ainda não estavam em operação foram fechados temporariamente, enquanto outros com pouca ocupação realocaram funcionários para unidades com melhores condições. A rede pública Gaviota e hotéis como Meliá Cohíba, Nacional de Cuba e Torre K enfrentam impactos de capacidade e disponibilidade de combustível.
Impacto no turismo e nos trabalhadores
Relatos de trabalhadores indicam reduções salariais, férias forçadas com pagamento integral e adiamento de aberturas de novas instalações. Em Varadero, o principal destino de sol e praia, a queda de visitantes afeta restaurantes, atrações e a cadeia de serviços, com clientes principalmente de Rússia, China e países da América Latina, além de menor presença de europeus. A incerteza energética agrava o cenário para quem depende de turismo.
Os trabalhadores relatam dificuldades com transporte e continuidade de shoppings e serviços, enquanto atividades privadas tentam encontrar soluções para manter a renda. Em alguns casos, familiares ocupam funções em hotéis diferentes ou recorrem a empregos paralelos para complementar o orçamento familiar.
Inovação e adaptação
Casas de aluguel e empreendimentos privados tentam manter presença no mercado usando soluções próprias, como sistemas de energia solar para reduzir dependência de combustível. Em Havana, gestoras de pequenos hotéis boutique investem em autonomia energética para continuar operando, com foco em serviços locais e atividades de bem-estar.
Mesmo com iniciativas de diversificação, a percepção é de que o turismo cubano enfrenta um período difícil. A expectativa é de que o cenário só se torne mais claro conforme a disponibilidade de combustível e a política energética do país se ajustem. Fontes consultadas destacam que números de visitantes em 2025 ficaram próximos de dois milhões, refletindo a deterioração do setor.
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