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O que está por trás do crescimento de dois dígitos na Etiópia

Etiópia registra retomada do crescimento impulsionada por reformas, mas inflação e tensões regionais podem comprometer a recuperação econômica

A skyline is shown from a window. There are skyscrapers, and it's a somewhat cloudy day.
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Ethiopia fortalece sinais de recuperação econômica enquanto conflitos e tensões regionais seguem no radar. O país, que já teve crescimento médio próximo de 11% até 2020, enfrenta agora uma guinada com reformas mandadas pelo FMI, visando ampliar exportações e atrair investimentos.

As mudanças estruturais começaram em julho de 2024, incluindo a desvalorização do birr e a abertura de setores como banking, telecomunicações e imobiliário para a competição externa. Essas medidas influenciaram as expectativas de crescimento, apesar de pressões inflacionárias.

Desempenho setorial e comércio externo

Pelo lado das exportações, o ano fiscal de 2024-2025 registrou exportações de café superiores a 2,6 bilhões de dólares, ante 1,43 bilhão no ano anterior, impulsionando receitas externas significativas. O café continua respondendo por cerca de 30% da receita de exportação.

A taxa de câmbio, liberalizada, elevou a inflação e o custo de vida, mas ajudou a elevar as exportações em setores-chave. Além do café, o ouro também figura como combustível da entrada de divisas, com maior participação nas receitas de exportação.

Finanças e dívida pública

O governo negocia a reestruturação de dívida sob o Quadro Comum do G-20. No último ano, houve acordo com credores estrangeiros para reestruturar 8,4 bilhões de dólares em empréstimos, com alívio de 3,5 bilhões de dólares. Contudo, detentores de bônus privados sinalizaram possibilidade de ações legais.

Brasil? Não. O share de fontes internacionais permanece relevante, com os EUA ainda sendo destino importante para o café etíope, embora o país tenha sido suspenso do AGOA desde 2022 por questões de direitos humanos.

Riscos geopolíticos e regionalização

Relatos recentes colocam a Etiópia envolvida na violência de Sudão, com investigações da Reuters apontando presença de instalações de treinamento para combatentes RSF próximas à fronteira. Analistas apontam que o apoio pode ter motivações estratégicas contra o Cairo e a prática de disputas no Nilo.

Tensões militares com a Eritreia e novos combates em Tigray, Amhara e Oromia também desafiam a trajetória de recuperação. Especialistas destacam que instabilidades regionais podem comprometer ganhos econômicos e o ambiente de investimentos.

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