O Assaí recebeu atenção de analistas após identificar um estoque de créditos fiscais de PIS/Cofins sobre bebidas frias, com potencial de monetização nos próximos dois anos. O montante estimado chega a cerca de R$ 1,9 bilhão, segundo relatório do Itaú BBA, que elevou o preço-alvo das ações.
A rede de atacado, liderada pelo CEO Belmiro Gomes, informou que parte dos créditos já pode ser convertida em caixa. Em janeiro, R$ 100 milhões foram revertidos por meio de compensação com tributos federais. A avaliação do Itaú BBA aponta impacto positivo potencial, sujeito a homologação da Receita Federal.
Origem dos créditos
A controvérsia tem origem em 2015, quando houve alteração do PIS/Cofins sobre bebidas frias, migrando de sistema monofásico para plurifásico. O Assaí sustenta que paga o tributo embutido no preço de cada caixa e tem direito a recuperar esses valores. A Receita Federal ainda não confirmou posição final.
O banco estima que R$ 1,5 bilhão sejam retroativos e R$ 380 milhões possam ser gerados ao longo de 2026. A monetização deve ocorrer de forma gradual, reduzindo o desembolso de caixa ao longo do tempo, segundo a companhia.
Perspectivas e riscos
O prazo crítico de homologação é 31 de dezembro de 2026. Sem aval, o direito pode caducar com a reforma tributária e a transição para a CBS. A transição, segundo o Itaú BBA, pode ampliar a margem bruta em até 15 pontos-base a partir de 2027, sob condições de não repasse de custos.
Entre 2027 e 2028, a empresa tem aproximadamente R$ 6,2 bilhões em dívidas a vencer. Para mitigar isso, a rede reduziu de 10 para 5 o número de inaugurações previstas em 2026. O quarto trimestre de 2025 apontou melhoria de margem e ganho de participação de mercado, segundo analistas do BB Investimentos.
Situação operacional e cenário de mercado
O Assaí soma 312 lojas e projeta chegar a 317 ao fim de 2026, com receita bruta estimada em R$ 86,7 bilhões. A conjuntura setorial, com concorrentes em expansão, tem pressionado margens e rentabilidade. A Sendas Distribuidora também confirmou movimentos de crescimento, incluindo parcerias e expansão de serviços.
Entre os maiores acionistas estão Orbis Invest, com 11,57%, seguido por Dynamo, BlackRock, Conifer Management e Wishbone Management, conforme levantamento do BB Investimentos. O tema dos créditos fiscais continua sob monitoramento de investidores e do mercado.
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