A alta de preços e a expansão do comércio eletrônico aceleram a virada do consumo no Reino Unido e na Europa, privilegiando vendas por apps de moda barata da China. A tendência ganha força enquanto a AB Foods avalia separar a Primark do grupo para testar o apelo do negócio de forma independente.
A Primark enfrenta queda de desempenho em meio a um ano turbulento e a um lucro mais fraco. A varejista, controlada pela Associated British Foods, ainda não tem presidente executivo permanente desde a saída de Paul Marchant em março passado.
O momento é de inflação pressionando o orçamento familiar, o que aumenta a atratividade da Shein e da Temu e empurra consumidores para compras online de sites de baixo custo. A Primark, porém, mantém forte presença física, com lojas em cerca de 500 unidades.
A AB Foods apresenta um cenário em que a separação da Primark pode beneficiar outros negócios do grupo, como açúcar e ingredientes, menos compreendidos pelo mercado. Ainda não houve decisão tomada; o conselho analisa interesses de longo prazo.
No Reino Unido, os preços de entrada da Primark subiram entre 2023 e 2025, segundo analistas, acompanhando a inflação e impostos. A companhia afirma não ter alterado preços de itens-chave como camisetas infantis de 1,30 libra, mas admite reajustes em outras áreas.
Em plena ofensiva contra e-commerce, a Primark passou a oferecer compras online com retirada em loja no Reino Unido e lançou aplicativo de catálogo na Itália e na Irlanda, com expansão prevista. O objetivo é reduzir a vantagem de varejistas digitais de preço baixo.
Analistas destacam que o modelo de lojas físicas continua sob pressão, especialmente diante da entrada da Lefties, da Inditex, na costa britânica, e da consolidação de marcas como H&M e Zara. Ainda assim, a Primark mantém estratégia de expansão internacional, incluindo EUA.
A direção avalia o impacto de mudanças regulatórias, como a eliminação da isenção de minimis para envio de itens de baixo valor, que afeta concorrentes online. O governo britânico planeja encerrar o benefício até 2029, o que pode reconfigurar o atrativo de compras internacionais.
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