A Shell sinalizou a possibilidade de injetar até US$ 610 milhões para recapitalizar a Raízen, a joint venture entre Shell e Cosan. A medida visa evitar uma recuperação judicial da empresa, segundo três pessoas com conhecimento do tema.
A Raízen enfrenta dificuldades financeiras, tendo mostrado um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre. A empresa também comunicou incerteza relevante sobre a continuidade das operações.
A dívida líquida da Raízen atingiu R$ 55,3 bilhões em 31 de dezembro, resultado de grandes investimentos, condições climáticas adversas e incêndios em canaviais. Isso reduziu rendimentos agrícolas e volumes de moagem.
Até a semana anterior, a Shell avaliava aportes de R$ 2,5 bilhões; a proposta mencionada evoluiu para até R$ 3,5 bilhões, sujeita a condições que ainda não foram definidas. A posição varia conforme as fontes.
A Shell e a Cosan controlam 44% cada uma da Raízen, com 12% das ações em circulação. A Cosan passa por reestruturação financeira, e poderia contribuir com R$ 1 bilhão. Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e acionista da Cosan, também poderia aportar até R$ 1 bilhão, dependente de acordo de financiamento em negociação.
Um credor informou que seriam necessários cerca de R$ 25 bilhões para reforçar as finanças, incluindo capital novo e a venda da unidade argentina, estimada em US$ 1 bilhão. A Raízen também consideraria receitas de desinvestimentos para melhorar o caixa.
A Shell, a Cosan e Ometto não comentaram o tema. No início do mês, a Raízen contratou Pinheiro Neto, Cleary Gottlieb e Rothschild & Co para avaliar estratégias financeiras e empresariais.
A notícia provocou rebaixamento imediato das notas de crédito da Raízen por agências como S&P Global, Fitch e Moody’s. A Moody’s destacou alta alavancagem, fluxo de caixa negativo persistente e juros elevados.
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