O enforcamento de caminhões atrasa a exportação de soja no terminal de Miritituba, no Pará, em meio a um volume recorde de produção. Caminhoneiros relatam filas de até 30 km após percorrerem cerca de 1.200 km desde o Mato Grosso. O país vive safra 2025/26 de aproximadamente 180 milhões de toneladas.
Miritituba funciona como uma importante estação de transbordo no rio Tapajós, movendo quase 12 milhões de toneladas de grãos por ano. Empresas como Cargill, Bunge e Amaggi operam terminais fluviais que enviam a soja em barcaças para instalações no rio Amazonas, abastecendo navios oceânicos.
Em Santarém, manifestantes indígenas invadiram uma instalação da Cargill neste mês para protestar contra políticas de dragagem de hidrovias. Na sequência, o governo revogou, na segunda-feira (23), o decreto que incluía as hidrovias Tapajós, Madeira e Tocantins no plano de desestatização, gerando insegurança para exportadores.
Caminhoneiro que percorreu 1.200 km relatou que a fila pode ter contribuído para atrasos em Miritituba, já que motoristas buscam vagas de descarregamento. A lógica econômica dos motoristas costuma favorecer viagens rápidas para evitar perdas de comissão.
Atrasos estruturais são reforçados pela necessidade de maior organização logística no corredor do norte. Especialistas destacam que dragagem poderia permitir embarcações maiores durante o ano, reduzindo dependência do transporte rodoviário e custos de frete.
Caminhoneira observou que o pátio atual não comporta a quantidade de caminhões necessária, ressaltando a limitação de espaço. Mudanças na infraestrutura de hidrovias e nos terminais teriam potencial para evitar filas extensas.
Ações para ampliar hidrovias e ampliar pátios teriam impacto direto na previsibilidade do escoamento e na competitividade dos produtores do Mato Grosso. A Famato aponta que o custo de transporte entre Sorriso e Miritituba é menor por via hidroviária do que por rodovia.
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