O Banco Master foi liquidados pelo Banco Central em novembro do ano passado. A decisão encerrou todas as operações e nomeou um liquidante para gerenciar ativos e passivos, após a instituição enfrentar risco de insolvência.
Daniel Vorcaro, dono do banco, foi preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ofensiva investiga crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos de uma organização criminosa.
A polícia apura fraude no sistema financeiro desde 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal. Os investigadores apontam a possível fabricação de carteiras de crédito falsas pelo banco e a substituição de ativos sem avaliação técnica.
O Banco Master operava com juros bem acima do mercado em CDBs, tentando captar recursos para cobrir rombos. Mesmo com oferta informal de venda ao BRB, órgãos de controle questionaram a operação, levando à suspensão e à liquidação.
Ao longo de 2022 e 2023, o Master chegou a negociar a venda de 58% do capital ao BRB por cerca de 2 bilhões, o que não avançou por dúvidas de controle e de viabilidade. A operação ficou sob escrutínio de MP e TC.
Relatos de especialistas apontam que o banco oferecia 130% a 180% do CDI em CDBs para atrair recursos. A prática seria uma tentativa de manter a operação sem acesso a crédito barato. A instituição já enfrentava dificuldades de caixa.
Segundo a PF, o banco manteve ativos de baixa qualidade, simulando liquidez. Parte dos recursos captados foi aplicada em créditos de uma empresa chamada Tirreno, sem comprovação de valor ou liquidez. Em seguida, BRB teria adquirido esses créditos.
A liquidação extrajudicial determina o congelamento das operações e a suspensão de pagamentos até que o liquidante organize credores. O FGC garante ressarcimento até 250 mil por CPF ou CNPJ, em valores de deposito ou poupança.
Clientes do Master ficam sem movimentação até nova orientação do liquidante. Débitos e parcelas continuam sob responsabilidade dos tomadores, mas novas transações ficam indisponíveis durante o processo.
A Justiça e autoridades já indicam a possibilidade de responsabilização criminal por gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade documental e organização criminosa. As penas podem chegar a 12 anos de prisão para envolvidos.
Casos anteriores de falência de bancos apresentaram trajetórias semelhantes, com demora na quitação de créditos e ações de recuperação judicial sendo substituídas por liquidação. O BC acompanha o caso e investiga irregularidades contábeis.
Advogados consultados pelo g1 explicam que, com a liquidação, o banco fica isolado de ativos e credores. A apuração segue para definir responsabilizações e impactos para investidores e clientes.
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