Wall Street aposta que o pior da derrocada das ações de software causada pela IA pode ter ficado para trás. O setor mostrou sinalizações de recuperação após meses de fortes quedas motivadas por temores de disrupção tecnológica.
O índice de software do S&P 500 registrou a melhor semana desde maio. O ETF IGV subiu mais de 2% na quarta-feira, fechando a semana com crescimento de 13% desde 23 de fevereiro, data em que a Citrini Research disparou advertências sobre IA.
O desempenho ainda é volátil, mas o valuation permanece baixo. Uma cesta de software do Goldman Sachs negocia a 22 vezes o lucro, ante 21 vezes do S&P 500; ao longo de uma década, a média desse grupo fica distante do padrão histórico.
A Salesforce opera abaixo de 15 vezes o lucro projetado, com a média de 10 anos em 46 vezes. A Microsoft negocia a 22 vezes o lucro, abaixo da média de 27 vezes dos últimos 10 anos. Dados de múltiplos reforçam a percepção de preço atrativo.
Analistas apontam que o real risco está nas avaliações versus fundamentos. Hua Cheng, da Mirova, afirma que há desconexão entre preço e qualidade dos ativos, sugerindo que os riscos parecem exagerados neste momento.
O otimismo ganhou apoio de movimentos de hedge funds, que voltaram a cobrir posições vendidas em software. A recuperação também é atribuída a fundamentos positivos, com projeções de lucro para 2026 ainda em alta no setor.
Segundo a Bloomberg Intelligence, lucratividade de empresas de software e serviços no S&P 500 deve avançar 21% neste ano, frente a 17% em 2025. No quarto trimestre, 93% superaram estimativas de lucro no setor.
A Deutsche Bank reiterou postura favorável ao software, apontando que não foram identificados impactos negative da IA sobre receita em 2026 pela maioria das empresas. Em nota, o banco manteve recomendação overweight para software dentro de tecnologia.
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