A Porto Saúde e a Oncoclínicas assinaram um memorando de entendimentos para um investimento de R$ 1 bilhão na rede de oncologia. O acordo envolve a segregação das 200 clínicas em uma subsidiária, na qual a operadora de saúde da Porto, a Porto Saúde, faria o aporte. Hospitais da Oncoclínicas e ativo na Arábia Saudita ficam fora da operação.
O aporte seria dividido em duas etapas: R$ 500 milhões em equity, garantindo à Porto Saúde 33% do capital total e 66% das ações votantes; e outros R$ 500 milhões via debênture conversível em ações. A conclusão depende de due diligence e de renegociação da dívida com credores da Oncoclínicas.
Após a renegociação, credores da Oncoclínicas teriam a opção de migrar créditos para a nova subsidiária, segundo as fontes. O interesse da Porto Saúde não é verticalizar o negócio, mas assegurar a continuidade operacional da Oncoclínicas, atual principal parceira em oncologia.
Contexto estratégico e desempenho
A Porto Saúde é hoje uma das maiores fontes de pagamento da Oncoclínicas, ao lado do Bradesco, com cerca de R$ 500 milhões por ano cada em serviços de oncologia. A Oncoclínicas foca em custos competitivos por infusão, o que agrega valor à rede.
A empresa realiza aproximadamente 700 mil infusões anuais de quimioterapia, com preço médio de R$ 9,7 mil por procedimento. Em comparação, a Rede D’Or, que atua como concorrente, faz cerca de 7,2 mil infusões anuais com preço médio de R$ 14,7 mil.
A carteira de dívida líquida da Oncoclínicas supera os R$ 4 bilhões, com alavancagem de 4,2x EBITDA. A empresa enfrentou abalos desde a crise envolvendo o Banco Master, acionista relevante. Assessoram o negócio UBS BB e Rothschild, que originalmente buscaram fusão com a Porto Saúde.
A proposta inicial visava um IPO reverso da Porto Saúde, mas foi rejeitada pela Porto, que prefere manter a rede como unidade neutra para atender diversos planos. O MOU aprovado pelo conselho da Oncoclínicas teve votos favoráveis de 5 a 2, com oposição de representantes da gestora Centaurus, que detém cerca de 20% do capital.
A Oncoclínicas está avaliada em cerca de R$ 2,1 bilhões na B3, e suas ações já caíram cerca de 65% no último ano. O caminho para a operação depende de etapas regulatórias, financeiras e de confirmação de condições precedentes.
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