Em uma virada histórica, Cuba anunciou o fim de todas as proibições a investimentos estrangeiros, incluindo de exilados que vivem no exterior. A medida visa atrair capital para estimular a economia diante da crise energética.
Oscar Pérez-Oliva Fraga, vice-primeiro-ministro e ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, afirmou que não haverá limitações aos investimentos. A declaração ocorreu após reuniões com autoridades cubanas.
Pela primeira vez desde a revolução, cubanos no exterior poderão adquirir participação em empresas privadas. A norma também permite que exilados e investidores estrangeiros abram instituições financeiras no país.
Mudança em curso
A decisão veio dias depois de o presidente Miguel Díaz-Canel admitir negociações com autoridades dos EUA, em um contexto de negociações entre Washington e Havana. A reforma busca diversificar fontes de financiamento.
Diante de apagões diários e falta de combustível, Cuba busca mitigar a crise econômica e o impacto da guerra no petróleo, que elevou os custos de importação e pressionou a inflação.
Desafios e perspectivas
A reforma de 2021 já havia liberado negócios privados para residentes, mas não para o exterior. Organizações do setor avaliam que o efeito prático pode ser limitado, dada a insegurança jurídica.
O economista Paolo Spadoni, da Universidade de Augusta, descreveu a mudança como pragmática e potencialmente impactante, citando oportunidades para laços econômicos com os EUA, ainda com grandes obstáculos.
O New York Times aponta que autoridades norte-americanas avaliam se as mudanças são apenas cosméticas antes de emitir licenças para investimentos cubanos, o que pode atrasar a implementação plena da reforma.
Desde 1959, mais de 1 milhão de cubanos deixou a ilha em busca de melhores condições de vida, contexto que atua como pano de fundo para as mudanças anunciadas.
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