O Magazine Luiza encerrou 2025 com caixa de R$ 8 bilhões e dívida bruta de R$ 4,9 bilhões, resultando em caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões. A gestão destaca que o ciclo de desalavancagem já mostra resultado, com aumento de caixa e redução da dívida.
O CFO Roberto Bellissimo explicou à Bloomberg Línea a estratégia por trás dos números. Ele afirma que a empresa busca seguir amortizando a dívida por meio de geração de caixa, mantendo foco na disciplina financeira.
Entre 2024 e 2025, o caixa líquido caiu de R$ 3,3 bilhões para R$ 1,6 bilhão em setembro, e voltou a R$ 3,1 bilhões no fechamento do ano. Em outubro, houve amortização de R$ 1 bilhão da 10ª emissão de debêntures, entrada de caixa que foi compensada pela operação no quarto trimestre.
No terceiro trimestre, a Magazine Luiza pagou R$ 900 milhões de dívida mesmo com o caixa crescendo, segundo o executivo. O foco, diz Bellissimo, é manter o ritmo de amortizações sem depender de novas captações.
Estrutura da dívida e próximos passos
Os vencimentos futuros seguem distribuídos ao longo de 2026 a 2030: R$ 1 bilhão, em 2026; R$ 1,3 bilhão, em 2027; R$ 1,6 bilhão, em 2028; R$ 700 milhões, em 2029; e R$ 300 milhões, em 2030. A estratégia evita concentração de curto prazo e reduz riscos de refinanciamento.
A bandeira do plano é reduzir a exposição financeira gradualmente sem depender de Selic baixa. A despesa financeira, que subiu com a alta de juros, é apresentada como desafio a reduzir para níveis históricos próximos de 2% da receita líquida, frente ao patamar atual de 5,3%.
Bellissimo aponta dois componentes da despesa: o efeito da dívida de balanço e o desconto de recebíveis. A meta é voltar a margem Ebitda de 8% e reduzir o peso da despesa financeira, hoje superior ao adequado para o grupo.
Perspectivas de negócio e financeiro
A visão do mercado imporá ajustes neste ciclo. O Itaú BBA considera melhora estrutural, mas aponta risco competitivo no e-commerce, com queda de GMV online no quarto trimestre. O banco mantém preço-alvo de R$ 10,0 para 2026, destacando a competição com plataformas como Mercado Livre e Casas Bahia.
Bellissimo defende o reposicionamento como um branded place com curadoria de produtos de marca. Segundo ele, o Magalu não tem vocação para vender itens sem procedência ou marca conhecida.
O grupo planeja migrar até o fim de março a totalidade do crediário direto ao consumidor para a MagaluPay, a financeira interna. O objetivo é reduzir custos, ampliar eficiência de funding e tornar o produto mais robusto.
Entre na conversa da comunidade