A B3 acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26), após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação ao fechamento anterior, em uma forte reação do mercado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com o acionamento do mecanismo, foram suspensas por 30 minutos as negociações de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDRs, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. A B3 informou que comunicaria posteriormente o horário de reabertura das operações.
A reação ocorre um dia após Lula conquistar um quarto mandato na Presidência da República, resultado que contrariou expectativas de parte do mercado financeiro.
Segundo agentes financeiros, investidores haviam se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, principalmente após ele liderar a primeira etapa da eleição. Parte do mercado enxergava uma mudança no governo federal como possibilidade de melhora das contas públicas.
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No mercado futuro, a pressão também era intensa. Por volta das 10h10, o contrato do Ibovespa com vencimento em 16 de dezembro, INDZ26, caía 16,74%, aos 173.260 pontos.
A B3 ampliou duas vezes os limites inferiores de oscilação diária dos contratos futuros do Ibovespa. Antes da abertura, o piso passou de 10% para 15%. Depois do início dos negócios, foi ampliado novamente para 20%, medida que também alcançou os minicontratos futuros do índice.
Pelas regras da B3, após o primeiro circuit breaker, caso o Ibovespa alcance queda de 15% depois da retomada das negociações, o mercado é novamente interrompido, desta vez por uma hora. Se, após nova reabertura, a perda chegar a 20%, a B3 pode determinar outra suspensão pelo período que considerar necessário.
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Para o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o movimento desta segunda-feira tende a refletir uma reversão de posições e um aumento significativo da percepção de risco.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos.”
Segundo Mollo, uma eventual proposta de emenda constitucional para ampliar o contingenciamento de recursos e buscar o cumprimento da meta fiscal poderá indicar como o governo pretende responder às preocupações dos investidores.
Além da política fiscal, o mercado deve acompanhar a formação da nova equipe ministerial e, principalmente, os nomes indicados para os cargos ligados à área econômica.
“A capacidade de diálogo com um Congresso mais inclinado à direita também será relevante para a governabilidade”, pontuou.
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