Durigan, secretário-executivo da Fazenda, deve assumir o Ministério da Economia caso Haddad se afaste para disputar o governo de São Paulo. A confirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento em São Paulo, durante a leitura da nominata. Lula chamou Durigan, pedindo que o acompanhem as pessoas para conhecê-lo.
Haddad estava presente no ato e fez um balanço da gestão à frente da pasta. Durigan já atuou no Executivo desde 2023, contribuindo para medidas de recomposição de receitas, como aumentos de tributos, e para a articulação da reforma tributária sobre o consumo, além de negociações sobre a dívida dos estados.
Antes de chegar ao governo federal, Durigan atuou como consultor na Advocacia-Geral da União e, no setor privado, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Ele também integrou a equipe de Haddad na gestão municipal de São Paulo, em 2015 e 2016. Formado pela USP, o novo ministro é visto como articulador dentro do governo, com perfil mais discreto.
Desafios na Fazenda
À frente da Fazenda, Durigan terá de coordenar as ações da área econômica durante a campanha de Lula à reeleição, em um ano eleitoral com forte disputa e disseminação de mensagens contrárias. A pauta inclui a conclusão da reforma tributária, a regulamentação do imposto sobre consumo (CBS) para 2027 e a definição de itens como o imposto seletivo.
Outra frente envolve o ajuste fiscal. O governo trabalha para manter o superávit de 2026, em linha com o arcabouço fiscal, e avaliar despesas como precatórios. A meta central de 2026 é de um saldo positivo de 0,25% do PIB, com espaço de tolerância de 0,25 ponto, mas há possibilidade de rombo contábil se determinadas despesas levarem o déficit ao teto.
A área econômica também deve enfrentar o espaço limitado para gastos livres, com obras e investimentos que costumam sofrer bloqueios. Esse ambiente macroeconômico ocorre em meio a tensions internacionais, em especial pela guerra no Oriente Médio, que aumenta o preço do petróleo e pode pressionar inflação e juros.
O Ministério da Fazenda já sinalizou medidas para mitigar o impacto da elevação de preços, como redução de impostos e subsídios para o diesel. Em 2026, a conjuntura externa tende a influenciar o câmbio, a inflação e a geração de empregos, exigindo ações coordenadas com o presidente e outros ministérios.
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