Os setores imobiliário, industrial e de varejo pedem cautela no debate sobre o fim da escala 6×1, sobretudo em ano eleitoral. O tema foi pauta do primeiro CNN Talks de 2026, realizado na manhã desta sexta-feira (20).
Representantes apontaram que mudanças na jornada de trabalho podem afetar o poder de consumo dos brasileiros, além de alterar custos e prazos de obras. A discussão destacou a necessidade de considerar particularidades de cada setor para evitar impactos indevidos nos modelos de negócio.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, enfatizou a necessidade de discutir o tema com cautela, respeitando as especificidades de cada indústria. Afirmou que o momento político pode distorcer o debate e sugeriu adiá-lo para 2027, quando o ambiente estiver mais estável.
Luiz França, presidente da Abrainc, reforçou que a redução da jornada pode elevar o preço dos imóveis, reduzindo o acesso à casa própria. Segundo ele, ainda que se avalie iniciar o debate neste ano, a decisão não deveria ocorrer de forma precipitada.
Um estudo da Abrainc estima que o fim da escala 6×1 pode encarecer obras em torno de 20%, impactando cerca de 4,8 milhões de famílias. O custo total dos empreendimentos deve subir entre 5,5% (40 horas) e 11% (36 horas) no cenário de 40h.
França ressaltou que, com a mão de obra representando cerca de 40% do custo, o aumento nos preços pode inviabilizar parte da aquisição de imóveis para muitos brasileiros, que dependem de financiamento.
Vander Giordano, conselheiro da Abrasce, destacou que a redução do poder de compra também atingiria itens básicos, como remédios. Ele afirmou que a discussão deve ocorrer no âmbito político, mas não em um ano marcado pela emoção.
Giordano ainda apontou que o custo da máquina pública municipal pode subir, dado o grande número de trabalhadores em CLT ligados às prefeituras. O repórter observou que o governo federal já elevou tributos para recompor receitas.
O evento reuniu representantes dos setores envolvidos, que reiteraram a necessidade de avaliar impactos econômicos, sociais e setoriais antes de qualquer mudança na legislação trabalhista. As falas refletem uma convergência entre indústria, comércio e imobiliário sobre cautela.
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