O uso de canetas emagrecedoras tem influenciado o comportamento de consumo no Brasil. Consumidores passaram a substituir doces, guloseimas e bebidas açucaradas por opções mais saudáveis, com foco em frutas, verduras, legumes e proteínas. A supervisão médica continua presente no manejo.
Entre os envolvidos, a confeiteira Maria Eduarda Oliveira da Silva e o relações públicas Fábio Pimentel destacam a mudança no carrinho de compras após iniciarem o tratamento com GLP-1. Os dois relatam perdas expressivas de peso desde o início do uso.
Em relação ao tempo, Maria Eduarda perdeu 7,3 kg em um mês; Pimentel, 44 kg em 11 meses. Os dois reduziram gastos em compras de supermercado, segundo simulações acompanhadas pelo Estádio, com quedas percentuais maiores que as perdas de peso.
O que mudou no bolso dos consumidores
Em uma simulação de compras para dez dias, Pimentel reduziu gastos em 33,58% (de R$ 954,38 para R$ 633,88), enquanto Maria Eduarda reduziu 11,35% (de R$ 447,73 para R$ 396,89). A economia é superior à queda de peso em ambos os casos.
A pesquisa mostra que o uso das canetas impacta o volume de itens comprados. Em 12 meses até o terceiro trimestre de 2025, usuários reduziram o consumo de alimentos e bebidas em quase 5% comparado ao período anterior, segundo a Worldpanel by Numerator Latam.
Entre os itens mais afetados estão chocolates e refrigerantes, tradicionalmente comprados por impulso. Em contrapartida, não usuários do medicamento apresentaram consumo estável no mesmo período.
Indústria e varejo se ajustam
A indústria de alimentos e bebidas e o varejo acompanham a mudança de demanda. Danone, Sadia e Perdigão indicam investimentos em proteínas de alta qualidade e linhas com maior conteúdo proteico. O objetivo é atender a novas rotinas de consumo.
Marcas de laticínios lançam produtos com menos açúcar, lactose e gordura, enquanto redes de varejo promovem itens saudáveis com descontos e etiquetas de teor proteico para orientar compras. Há também investimentos em orientação nutricional dentro de lojas.
No setor varejista, redes como Hirota, Assaí, Carrefour e outras relatam ajustes de mix e expansão de áreas dedicadas a suplementos, proteínas e itens saudáveis. Projetos incluem farmácias dentro de lojas de atacarejo e salas de avaliação corporal.
Panorama e perspectivas
Especialistas apontam que a mudança é parte de uma tendência maior de saudabilidade, já em curso há anos, com queda de volume em categorias de carboidratos e aumento de proteínas. A quebra de patente de GLP-1 pode ampliar o número de usuários, ampliando o impacto no varejo.
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