O Bitcoin operava abaixo de US$ 68 mil nesta sexta-feira, mantendo uma faixa estreita mesmo com a alta nos rendimentos dos títulos dos EUA. O movimento ocorre em meio a sinais de pressão nos mercados globais.
O rendimento da nota de referência de 10 anos do Tesouro dos EUA subiu para aproximadamente 4,42% na quinta-feira, um ganho de cerca de 46 pontos-base desde o fim de fevereiro. Analistas da Kobeissi Letter destacaram que o ritmo atual lembra momentos de abril de 2025, mas ressaltaram que o cenário atual é mais complexo.
Essa elevação nos rendimentos costuma influenciar os custos de empréstimos na economia e costuma guiar o humor de ativos de risco, como ações e criptomoedas. O ajuste acontece em meio a pressões inflacionárias e incertezas geopolíticas.
Cenário macro e impactos
A alta nos rendimentos é alimentada por precios do petróleo e tensões no Oriente Médio, com a guerra entre EUA e Israel envolvendo o Irã se aproximando de cinco semanas desde ações de lideranças. Investidores repercutem a possibilidade de maiores custos de financiamento.
Mercados de futuros mostram expectativa de que o Federal Reserve manterá taxas elevadas por mais tempo, o que contrasta com previsões anteriores de cortes ainda neste ano. Esse cenário tende a pressionar ativos de risco frente a títulos considerados mais seguros.
Comportamento do Bitcoin
Apesar da pressão macro, o Bitcoin tem caído menos que as ações e permanece entre US$ 68 mil e US$ 71 mil. Analistas dizem que o ativo é puxado por forças macroeconômicas opostas, com traders buscando proteção contra quedas.
A QCP Capital informou que a ação de preço do Bitcoin segue limitada a uma faixa, com demanda contínua por proteção contra quedas, sem indicar estresse extremo no mercado de opções. Observa-se, ainda, acumulação de moedas durante recuos de preço.
Perspectivas e fluxos de investimento
Alguns investidores estão movendo BTC para custódia, conforme saídas líquidas de exchanges indicam maior armazenamento. A participação do Bitcoin no total de mercado cripto tem aumentado, sugerindo preferência por a criptomoeda mais valiosa em períodos de incerteza.
Se o rendimento do Tesouro de 10 anos continuar avançando para a faixa de 4,5%, as condições financeiras devem se apertar, elevando a pressão sobre ações e criptomoedas de primeira linha. Nesse cenário, o Bitcoin tende a reagir mais a fatores macroeconômicos do que a notícias específicas do universo cripto.
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