A convivência com desigualdades no uso do tempo entre homens e mulheres sustenta debates sobre autonomia econômica. O tema ganhou força no Congresso com a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho e terminar com a prática 6 X 1, citando impactos na distribuição de renda.
Dados oficiais indicam que o valor médio da hora paga às mulheres fica abaixo do verificado para os homens. Além disso, a disponibilidade para trabalhar mais horas é menor entre as trabalhadoras, em razão de tarefas de cuidado que recaiem predominantemente sobre elas.
Entre as informações disponíveis, 66% das pessoas que trabalham de 16 a 30 horas semanais são mulheres. Homens lideram a faixa de 41 a 44 horas semanais. No total, há 2,26 milhões de mulheres em jornadas de até 30 horas, contra 1,47 milhão de homens nessa faixa. Na faixa de 31 a 44 horas, há 21,8 milhões de mulheres e 29,5 milhões de homens. Esses dados são da RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Essa distribuição impacta a renda. Em média, uma mulher com 30 horas ganharia 31,8% a menos que um homem com 44 horas. A redução de jornadas sem perda salarial pode elevar o valor da hora trabalhada e reduzir desigualdades salariais, apontam análises.
A proposição de 40 horas semanais sem redução salarial é apresentada como estratégico para aumentar a remuneração por hora. A medida também pode favorecer a redistribuição de responsabilidades de cuidado entre os gêneros e ampliar a autonomia econômica feminina.
Caso implementada, a mudança visaria melhorar a distribuição de riqueza e reduzir disparidades entre homens e mulheres no mercado de trabalho, além de promover maior equilíbrio entre vida profissional e social.
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