Bento Gonçalves, cidade da Serra Gaúcha, implementou uma estratégia de busca ativa por beneficiários do Bolsa Família para conectá-los ao mercado de trabalho. O andamento busca reduzir a dependência de programas sociais entre moradores, com resultados expressivos em pouco mais de um ano e meio.
O município iniciou o programa para localizar quem está cadastrado no benefício e encaminhá-lo a vagas disponíveis. Caso o beneficiário não seja localizado, a gestão informa o sistema federal para possível bloqueio até que a pessoa se apresente e confirme os dados.
Em novembro de 2022, Bento Gonçalves registrava 2.115 beneficiários do Bolsa Família. Em março de 2024, esse contingente caiu para 1.296, redução de quase 40%. O recorte estadual aponta queda de 15% no Rio Grande do Sul, enquanto o país teve uma redução de cerca de 11%.
Resultados e impactos
Renan Pieri, professor de economia da FGV, destaca que a redução local supera as médias estaduais e nacionais, evidenciando o efeito da ponte criada entre assistência social e oportunidades de emprego. A prefeitura afirma que a estratégia facilita a aproximação entre empregadores e trabalhadores.
O prefeito Diogo Siqueira (PL) ressalta que a atuação facilita a vida do empresário, ao mesmo tempo em que promove a inserção no mercado de trabalho. Segundo ele, o foco é ampliar a mobilidade profissional dos beneficiários, com encaminhamentos para vagas disponíveis.
Renata de Oliveira, 23 anos, é um caso ilustrativo: após dois anos como beneficiária, conseguiu emprego como atendente de restaurante por meio do programa municipal. Ela descreve o atendimento da prefeitura como ativo e propositivo, com apoio para a elaboração de currículo e contatos com empresas.
Análises de especialistas apontam falhas no Bolsa Família, como ausência de políticas de transição para o emprego e de microcrédito para empreendedorismo. A iniciativa de Bento Gonçalves é vista como um caminho que conecta cadastro, empregabilidade e oportunidades de renda estável.
Caminhos e perspectivas
Segundo Pieri, a conclusão do programa depende da continuidade de ações de intermediação entre governo, trabalhadores e empresas. A prefeitura defende que a atuação é uma ponte essencial entre o benefício social e o emprego, alinhada à realidade local.
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