A Ambev anunciou uma política comercial para incentivar a produção de cevada cervejeira no Sul do Brasil, conectando o cultivo ao desempenho do mercado. A estratégia envolve garantias de pagamento ao produtor e vinculação de parte do valor ao preço do trigo, visando assegurar custos e manter a lógica de mercado.
Com foco no Sul, a empresa promete comprar toda a cevada destinada à cerveja na região, oferecendo assistência técnica, manejo e escolha de variedade. O pagamento é feito ao fim de dezembro, após o recebimento do cereal, e há opção de destinar a produção com menor qualidade a usos forrageiros.
A iniciativa surge num contexto de demanda estável pelo cereal e de programa de fomento que existe desde os anos 1980, especialmente na região gaúcha de Passo Fundo, onde a Ambev mantém maltarias.
Modelo de negócio
A Ambev assegura a compra de 100% da cevada cervejeira da região e incentiva produtores a plantarem até 200 quilômetros de distância das fábricas. Metade do valor da colheita fica fixo, em R$ 75 por saca, para cobrir custos. A outra metade acompanha a cotação do trigo.
Além das barbas diretas com produtores gaúchos, a empresa mantém parceria com a cooperativa Agrária, no Paraná, com planta em Guarapuava e planos de novas maltarias. A parceria garante a compra de todo o malte produzido pela cooperativa.
Desempenho e perspectivas regionais
O Paraná deve semear cevada em 111,3 mil hectares em 2026, 7,3% acima de 2025, impulsionado pela indústria malteira. O Rio Grande do Sul registra 34,5 mil hectares, com crescimento de 9,9%. Embrapa aponta entraves climáticos, como chuvas na fase reprodutiva, que podem afetar a qualidade.
Em Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal, a Embrapa estima 5 milhões de hectares com condições de cultivo sob irrigação, em áreas acima de 800 metros de altitude. O custo de logística e a competição com hortaliças aparecem como desafios para a expansão.
Qualidade, futuro e inovação
A Ambev também incentiva a qualidade da cevada por meio de sementes desenvolvidas internamente. A cultivar ABI Valente, homologada após anos de testes, é 16% mais produtiva e tem grãos maiores, com maior resistência a doenças. Não há royalties para produtores parceiros.
A Valente se soma a ABI Rubi e BRSCaue (da Embrapa), ampliando a base de variedades usadas. A empresa sinaliza licenciamento futuro para outras indústrias cervejeiras.
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