O preço dos plásticos pode subir nos próximos meses em função da intensificação do conflito no Oriente Médio. A produção de plástico depende de petróleo e gás natural, cujos valores disparam desde o início da guerra no final de fevereiro. Profissionais do setor apontam que itens como talheres descartáveis, bebidas engarrafadas e sacosde lixo podem receber pressões de custo.
Especialistas destacam a dificuldade de isolar o aumento de preço do plástico de outras pressões inflacionárias. Alterações de custo em embalagens, por exemplo, podem elevar o preço de alimentos em dois a quatro meses, conforme o ritmo de uso de estoques. Em setores com contratos de preço fixo, o impacto pode aparecer em até um ano.
Por que os preços do plástico sobem
Energia mais cara ajuda a elevar o custo de matérias-primas, como polietileno e polipropileno, ampliando o custo de fabricação. O Estreito de Ormuz, rota chave para petróleo e gás, está sob tensão, o que impacta o fornecimento global. O petróleo chegou a bater pico próximo de US$ 98 o barril em março, e o gás natural teve alta superior a 60% na Ásia e na Europa.
Quase toda a cadeia de plásticos depende de combustíveis fósseis. A região do Oriente Médio responde por cerca de um quarto das exportações globais de polietileno e polipropileno, segundo dados da S&P Global Energy. A maior parte da capacidade de PE na região depende do estreito para exportações marítimas, apontou um analista à CNN.
Dados da Plastics Exchange indicam aumentos de dois dígitos nos preços de resinas nos últimos 30 dias. Executivos do setor relatam que, em 25 anos de atuação, não tinham visto elevação mensal tão acentuada no preço do PE.
Perspectivas e impactos
A curto prazo, não existem muitos substitutos diretos para o plástico, especialmente em embalagens e na indústria de consumo. Empresas de acabamento poderão ajustar designs, reduzir espessuras ou buscar materiais mais baratos. Itens fortemente dependentes de plástico, como sacos de lixo, devem registrar avanços de preço mais acelerados.
Seos preços do petróleo permanecerem elevados por três a quatro meses, é provável que o encargo não se reduza rapidamente e se prolifique por até dois anos. Mesmo com o fim do conflito, a normalização da cadeia de suprimentos pode exigir tempo considerável, segundo especialistas.
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