O caso de Château Meylet, vinícola biodinâmica de Saint-Émilion, ganha projeção à medida que a família Favard enfrenta dificuldades econômicas. Em março, David Favard solicitou uma medida de salvaguarda, após passar quatro horas no Tribunal de Comércio de Bordeaux. O encontro ocorreu diante do Château de Ferrand, propriedade vizinha de 1708.
Favard afirma que precisa manter a liquidez e vender vinhos para sustentar o negócio. Ele aponta que cerca de 65% dos viticultores de Saint-Émilion enfrentam afinco financeiro, evidenciando o momento desafiador para o setor na região. O cenário envolve mudanças no mercado e na demanda.
A trajetória da vinícola é marcadamente artesanal e familiar. Michel Favard, pai de David, foi pioneiro no bio e na biodinâmica na região, recusando a participação no négoce tradicional. Hoje, a área gerida pela família soma 2,5 hectares no setor oeste de Saint-Émilion, próximo ao Château Fonroque.
A abordagem de Meylet foge do turismo de grandes châteaux. A vinha Gommerie, adjacente à propriedade, é destacada pela qualidade do terroir de areias antigas, com raízes que remontam à crise do vinhho phylloxéra. A expectativa é manter o potencial de guarda dos vinhos.
Ao longo dos anos, a prática sem sulfitos tem acompanhado a filosofia da casa desde os anos 1990, com vinhedos naturalmente cobertos, promovendo vida microbiana ativa há mais de meio século. A filosofia familiar enfatiza vinhos frescos e de digestibilidade elevada.
No presente, David Favard busca recuperar o paladar dos clientes históricos e ampliar a produção com capital próprio. A continuidade da proteção do legado biodinâmico de Meylet permanece como objetivo central, mesmo diante de incertezas do mercado externo e interno.
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