As importações de óleo combustível do Brasil pelo Sudeste Asiático subiram expressivamente em março, puxadas pela demanda de bunkering em Cingapura e Malásia. Dados de análise de mercado apontam crescimento relevante em relação a fevereiro, mitigando temores de escassez no abastecimento marítimo.
Segundo a Kpler, o volume atingiu perto de 1 milhão de toneladas, o que representa quase 205 mil barris por dia. A Vortexa aponta volume próximo a 800 mil toneladas, consolidando o mês como um marco para o óleo brasileiro na região.
A diferenciação de preço entre o óleo combustível do Leste e o Oeste ajudou a guiar mais cargas para a Ásia, segundo operadores. O swap VLSFO Leste-Oeste chegou a recorde de mais de US$ 160 por tonelada em 31 de março, ante a base anterior de fevereiro.
Contexto geopolítico
As disputas entre Estados Unidos e Irã, com o impacto no Estreito de Ormuz, elevou custos de reabastecimento global e intensificou fluxos para destinos asiáticos. A oferta robusta do Brasil ajudou a conter prêmios de mercado para o VLSFO em Cingapura, ao menos temporariamente.
Especialistas destacam que a queda nos prêmios spot do VLSFO, para cerca de US$ 50 por tonelada, ocorreu após o movimento de chegada de cargas brasileiras. Ainda assim, a demanda pela região manteve-se firme, com fluxos também da Rússia contribuindo para a disponibilidade.
A manutenção de estoques de gás oleoso e de combustíveis na Ásia, aliada a limitações de fornecimento de petróleo pesado, sustenta a agenda de abastecimento. Operadores indicam que a oferta continua apertada, mesmo com o incremento das importações brasileiras.
Perspectivas de oferta e mercado
O fluxo de óleo brasileiro, composto majoritariamente por VLSFO de baixo teor de enxofre, tende a manter pressão sobre os valores spot, dependendo das condições do Atlântico e do frontend de refinarias na região. A Europa e os EUA seguem como referências de oferta para comparação de prêmio.
Analistas apontam que, com a continuidade de operações de refinarias na Bacia do Atlântico, as condições de arbitragem podem permanecer favoráveis. O cenário aponta para continuidade de demanda asiática por óleo combustível brasileiro nos próximos meses.
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