O estudo do projeto Amazônia 2030 aponta que rios tendem a servir como rota de tráfico de drogas, principalmente cocaína, elevando a violência no interior do Amazonas e fortalecendo facções criminosas na região. A pesquisa trata da ligação entre uso de hidrovias e ações criminosas.
Segundo a investigação, as hidrovias amazônicas ganharam importância para o tráfico ao longo dos últimos 20 anos, com intensificação a partir de meados dos anos 2000. A política de interdição aérea iniciada em 2004 contribuiu para deslocar o transporte para trilhas fluviais.
O documento aponta que rotas fluviais conectam países produtores andinos às cidades da Amazônia, como Manaus, e aos mercados nacionais e internacionais. A mudança reduziu custos do transporte aéreo de drogas na região, ampliando o alcance do tráfico.
Mudanças na violência na Amazônia
Ao longo de 2000 e 2010 houve aumento gradual de mortes na região, com salto expressivo a partir de 2018. A presença de facções criminosas do tráfico de drogas passou a influenciar o comportamento violento local, segundo o estudo.
Entre 1999 e 2023, a Amazônia Legal registrou 18.755 homicídios a mais do que esperava se seguisse o padrão de pequenas cidades brasileiras. O estudo analisa a evolução dos homicídios e suas relações com atividades ilegais na região.
Fatores de risco e impacto
Até 2017, 29% das mortes associadas a fatores de risco estavam ligadas às facções. De 2018 a 2023, esse percentual subiu para 56%, evidenciando o crescimento da atuação dessas organizações.
O levantamento identifica quatro fatores de risco relevantes: exploração de madeira, grilagem de terras, mineração ilegal de ouro e o tráfico de drogas. Juntos, explicam cerca de 60% do excesso de homicídios, ou ~5.500 mortes adicionais entre 2018 e 2023.
Sob supervisão de AR, a pesquisa reforça a relação entre atividade criminosa e violência no território, destacando a necessidade de políticas públicas para reduzir impactos nessas comunidades.
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