As mudanças anunciadas no Reino Unido, que entram em vigor a partir de abril, aceleram a transferência de riqueza entre gerações. Proprietários de empresas familiares e herdeiros intensificam doações e reestruturações de participações para reduzir impactos do novo regime de imposto sobre herança. A medida altera regras históricas que concediam isenção total aos ativos de empresas britânicas.
Entre os casos divulgados, destacam-se transferências de ações envolvendo famílias ligadas à aristocracia imobiliária de Londres, a rede de distribuição de medicamentos e herdeiros de grandes fortunas. Os movimentos aparecem em registros cartorários e refletem uma busca por maior planejamento patrimonial diante das novas alíquotas.
A decisão da chanceler Rachel Reeves, ao eliminar a isenção de até 40% para ativos de empresas, foi anunciada no final de 2024. A partir de 2025, proprietários de negócios familiares devem enfrentar uma alíquota efetiva de 20% sobre heranças após o fim da isenção, incentivando reorganizações para otimizar o regime tributário.
O que mudou e por que
As mudanças incentivam a doação de ativos antes do início do próximo ano fiscal, em 6 de abril, para que o doador possa usufruir de benefícios fiscais durante um período de sete anos de carência. A estratégia, comum entre famílias de capital fechado, busca mitigar a carga tributária sobre heranças.
Um estudo recente com 559 proprietários e executivos de empresas familiares mostra que três quartos das empresas já adotaram medidas como cortes de pessoal e doações a instituições de caridade para reduzir o impacto. Outras ações incluem reestruturação de participações e uso de veículos corporativos para governança de riqueza.
Casos e impactos
Entre os exemplos de movimentação, a dinastia Weston, proprietária da rede Fortnum & Mason, transferiu recentemente parte de seus ativos para gerações mais jovens. Além disso, a família Bamford, ligada à JCB, elevou dividendos antes das mudanças, enquanto outros empresários pesam apólices de seguro para cobrir impostos.
Pesquisas apontam que muitos bilionários britânicos dependem de participações em empresas familiares de capital fechado, o que torna as reformas particularmente relevantes para esse grupo. Estima-se que mais de 20 mil empresas tenham substituído participações pessoais por entidades acionistas, para facilitar o planejamento sucessório.
Observações finais
Especialistas ouvidos pela reportagem indicam que proprietários de grandes fortunas enfrentam incertezas e estresses adicionais com o ambiente regulatório. Casos legais em curso envolvendo reformas tributárias ainda podem influenciar futuras decisões, mas, no momento, há expectativa de continuidade nas reorganizações.
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