O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que guerras impõem perdas econômicas acentuadas e duradouras nos países em conflito, com a produção recuando em média cerca de 7% em cinco anos. As cicatrizes costumam durar mais de uma década.
A análise, divulgada pelo FMI em blogs e capítulos do próximo relatório Perspectiva Mundial, foca em conflitos ativos com níveis ainda elevados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O relatório completo será publicado na próxima terça-feira.
A pesquisa não aborda a guerra no Oriente Médio nem o cessar-fogo divulgado pelo governo dos EUA, mas abrange economias de 164 países e dados de gastos militares. Em 2024, mais de 35 países tiveram conflitos internos ou externos.
Mais da metade da população global vivia, naquele ano, em países afetados por conflitos, segundo o FMI. A instituição aponta que, além das perdas humanas, os custos econômicos são significativos e persistentes para as economias envolvidas.
Impactos econômicos
Países com guerra podem evitar destruição física em solo próprio, mas os impactos se fazem sentir via vizinhos e parceiros comerciais. O FMI alerta que choques externos elevam pressões macroeconômicas, especialmente para economias abertas.
As perdas de produção costumam persistir por mais de uma década, superando crises financeiras ou desastres naturais graves. Desvalorizações cambiais, redução de reservas e inflação alta são indicativas do efeito macro.
Perspectivas macroeconômicas
O FMI sinaliza revisão para baixo de projeções de crescimento global e potencial aumento da inflação em razão dos conflitos. A diretora-gerente Kristalina Georgieva comentou, pela Reuters, que o cenário internacional tende a ficar mais fraco no curto prazo.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, também indicou que a guerra pode reduzir o crescimento e elevar a inflação, independentemente de quando terminar o conflito. Tais perspectivas reforçam a incerteza econômica global.
A instituição ressalta ainda que desequilíbrios externos podem ampliar o estresse macroeconômico, com efeitos observados na depreciação cambial e na dinâmica de reservas internacionais.
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