BTG Pactual manteve a recomendação de compra para a Ternium e elevou o preço-alvo de US$ 45 para US$ 53. O banco diz que a siderúrgica ítalo-argentina está entrando numa fase de colheita de caixa, após um ciclo pesado de capex. O mercado ainda não precificou totalmente essa mudança, segundo a instituição.
A análise destaca que a entrada em operação do laminador de placas de Pesquería, no México, até o fim de 2026 deve impulsionar a geração de caixa em 2027. Com isso, a Ternium passaria de um período de capex elevado para produção com maior margem, segundo o relatório.
O BTG projeta um free cash flow yield de cerca de 12% para 2027, o que pode manter a empresa com caixa líquido ao redor do fim do próximo ano. O estudo aponta espaço para maior alocação de capital aos acionistas, com dividend yield próximo de 10%.
Perspectivas de resultados e avaliação
Segundo o analista Leonardo Correa, a transição envolve monetização do ciclo de investimentos e melhoria do EBITDA por tonelada. O banco espera EBITDA de US$ 2,83 bilhões em 2027, frente US$ 1,38 bilhão em 2026 e US$ 347 milhões de lucro líquido em 2025, crescendo para US$ 1,35 bilhão em 2027.
A margem de EBITDA por tonelada deve evoluir para US$ 180 em 2027, ante US$ 100 em 2026. O múltiplo EV/EBITDA da Ternium ficaria próximo de 3x em 2027, com o ramp-up de Pesquería contribuindo para uma recuperação do múltiplo rumo a níveis historicamente mais altos.
Correa ressalta que parte do ceticismo já incorporou um re-rating, mas o cenário para 2027 contempla melhor execução operacional e maior geração de caixa. Ele cita que o desconto histórico ligado à Venezuela e à Argentina já deixou de pesar tanto, segundo a visão do analista.
O BTG aponta ainda que uma potencial revisão do USMCA, prevista para meados deste ano, poderia destravar a atividade industrial no México, principal mercado da Ternium, representando risco/risco de upside para a tese. A empresa é controlada pela Usiminas, com 71% do capital votante, e tem valor de mercado estimado em US$ 8,3 bilhões na NYSE.
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