A América Latina está ganhando status de porto seguro para investidores em mercados emergentes, diante de um cenário global volátil. Países exportadores de petróleo se destacam, enquanto a região apresenta menor exposição às tensões no Oriente Médio. Moedas locais, como o real e o peso argentino, se valorizaram frente ao dólar desde o início da crise no Irã. Títulos de empresas e governos, em dólar e moeda local, aparecem entre os melhores desempenhos no período.
Gestores de grandes fundos globais ampliaram apostas na região. Privilegiando ativos de energia e de exportação, eles veem potencial em títulos soberanos e corporativos ligados a commodities. A Brandywine Global e a RBC BlueBay destacam Argentina, Brasil e Colômbia como exemplos de posição favorável, com foco em energia e resiliência a choques de preços.
Juros reais elevados ajudam a atrair operações de carry trade, prática de tomar empréstimos em moedas com juros baixos e investir em moedas com juros mais altos. O ambiente é visto como favorável pela diversificação energética e pela demanda asiática por minerais críticos. Entidades como BlackRock também apontam esse viés para ativos latino-americanos de commodities.
Vulnerabilidades persistem, porém. As bolsas da região superam pares emergentes, mas enfrentam riscos fiscais e políticos. O índice MSCI de ações latino-americanas sobe cerca de 3% desde o início do conflito, enquanto o índice amplo de mercados emergentes recua. Fluxos de dívida foram negativos, mas o mercado acionário mostrou resiliência.
No Brasil, juros elevados pressionam balanços corporativos. A Colômbia teve a nota de crédito rebaixada por questões fiscais, e o Chile, importador de energia, registrou desempenho abaixo do esperado. Analistas destacam que há vencedores e perdedores na região, dependendo de exposição a petróleo e ao ciclo de energia.
Perspectivas e cautela marcam o curto prazo. O FMI alertou sobre vulnerabilidades de mercados emergentes diante de mudanças de sentimento e financiamento não bancário. Entidades consultadas ressaltam que choques geopolíticos criam dispersão entre ativos, exigindo avaliação cuidadosa de riscos e horizontes de investimento.
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