Em meio a juros elevados e maior pressão sobre o caixa das empresas, cresce no Brasil a prática de obter empréstimos bancários para quitar dívidas tributárias. A tendência ganhou espaço entre companhias que buscam reorganizar as finanças, mas especialistas alertam para riscos de longo prazo.
Dados do Banco Central indicam que o estoque de crédito para pessoas jurídicas permanece elevado, refletindo necessidade de capital de giro. A Receita Federal aponta que a carga tributária brasileira fica em torno de 33% do PIB, reiterando o peso do fisco no setor produtivo.
A dívida ativa da União já passa de R$ 2 trilhões, conforme a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O montante evidencia dificuldades de pagamento e falhas de gestão fiscal recorrentes nas empresas.
Desafios e impactos
Advogado especializado em fusões e aquisições, Rodrigo Baraldi, diz que emprestar para pagar tributo sem corrigir a raiz do passivo tende a ser solução temporária. “Troca uma dívida por outra, muitas vezes mais cara, e cria ciclo de recorrência”, afirma.
Para Baraldi, a inadimplência tributária costuma estar ligada a enquadramento fiscal inadequado, planejamento tributário ausente ou falhas operacionais. O desalinhamento estrutural tende a reabrir o passivo caso não seja tratado.
Transformar passivo tributário em dívida bancária aumenta a alavancagem em um cenário de custo elevado de dinheiro. Com a Selic elevada, o impacto no fluxo de caixa pode atrasar investimentos e ampliar o risco financeiro.
Caminhos para evitar o efeito permanente
Especialistas defendem revisão estrutural da estrutura tributária e operacional das empresas, incluindo avaliação do regime fiscal e melhoria de processos internos. A estratégia é reduzir distorções que alimentam o endividamento recorrente.
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