O fluxo para a Bolsa brasileira tem sustentação, segundo gestores da Kapitalo. A tese é de que o começo de um ciclo de alta nas commodities deve atrair capital externo, mesmo diante de incertezas locais. A visão é compartilhada por Hegler Horta e Bruno Mauad, responsáveis pela renda variável dos fundos multimercados da asset e pelo Tarkus, fundo de ações.
Para 2024, boa parte do retorno veio da BRF, cuja ação subiu com o turnaround antes da fusão com a Marfrig. A carteira do fundo já incluiu exportadoras como Vale e Suzano, empresas da cadeia de óleo e gás como Brava e Vibra, e Embraer. A estratégia é entender o ambiente externo como positivo para commodities.
Fluxo externo e geopolítica
Horta explica que a melhora na demanda global por commodities sustenta o investimento no Brasil. Mauad acrescenta que não houve impulso de “gringos” desordenado; o processo tem relação com desglobalização e estoques estratégicos, influenciados por eventos como a pandemia e conflitos internacionais.
O cenário externo levou o fundo a reduzir posições ligadas à demanda interna e manter uma exposição líquida estável, mesmo diante do choque no preço do petróleo em março. Segundo os gestores, a volatilidade elevou as correlações entre ativos, exigindo ajuste de risco sem abandonar a tese de longo prazo.
Políticas e cenário doméstico
No curto prazo, o custo do dinheiro é central. Horta aponta que, mesmo com sinais de desaceleração global, não havia espaço claro para cortes de juros no Brasil, devido à conjuntura fiscal e às eleições. A estratégia manteve a exposição bruta moderada, com a líquida em patamar próximo de 100%.
Mauad comenta que o fluxo estrangeiro para o Brasil tem fundamentos, mas depende de políticas públicas capazes de reduzir o gasto e de uma perspectiva de queda sustentada do custo de capital. Enquanto esse cenário não se confirma, a equipe adota postura cautelosa e ajuste gradual de posições.
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