O Tesouro Nacional vendeu 5 bilhões de euros em títulos soberanos para o mercado europeu nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, marcando o retorno do Brasil a esse mercado após mais de uma década. A demanda alcançou 16 bilhões de euros, com participação de mais de 700 investidores.
Foram emitidos três títulos com vencimentos em 2030, 2033 e 2036. O juro oferecido foi superior ao observado em 2014, quando o Brasil pagou cerca de 165 pontos-base em 10 anos. O spread atual ficou em 255 pontos-base sobre o mid-swap para o vencimento de 10 anos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a operação reforça a estratégia de diversificação de funding e fortalece as relações com a Europa. Ele afirmou que a emissão em diferentes prazos amplia a curva de juros em euros e facilita o acesso de empresas brasileiras ao mercado externo.
Cenário internacional
A operação marca a primeira emissão em euros do Brasil em 12 anos, em um ambiente de juros mais elevados e maior seletividade de investidores. O país perdeu o grau de investimento em 2015, com rebaixamentos de S&P, Moody’s e Fitch, o que amplia a percepção de risco entre investidores.
O retorno ao mercado ocorreu em contexto externo mais restritivo, com tensões geopolíticas relevantes, freando o fluxo de capitais para emergentes. A elevação dos custos de energia e insumos impacta o ambiente econômico global e pode influenciar o ritmo de crescimento.
Segundo analistas, a emissão busca criar referência soberana recente, ajudando a abrir espaço para financiamentos externos e para o acesso de empresas brasileiras a capital internacional em condições mais estáveis no médio prazo.
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