Ao menos três propostas tramitam no Congresso para acabar com a escala 6×1, que hoje prevê 44 horas semanais. Se aprovada, a mudança pode afetar a rotina de diversos trabalhadores, dependendo de regras atuais de cada categoria. Especialistas ouvidos pelo Valor reforçam que profissionais com jornadas já configuradas de forma diferenciada tendem a ficar de fora.
Entre as propostas está a PEC 8/25, que propõe redução gradual para 36 horas semanais. Outro caminho é o projeto de lei do governo federal, que mira 40 horas. A definição final depende de aprovação no Legislativo e pode influenciar regras da CLT e impactos setoriais, segundo analistas.
Trabalhadores autônomos, como artistas, advogados e profissionais sem carteira assinada, costumam ficar fora da CLT. Mesmo com mudanças sociais, especialistas avaliam que o efeito direto pode demorar e não deve ocorrer de imediato.
Os informais, como motoristas de aplicativo, entregadores e trabalhadores da construção, também podem ficar de fora. Dois tipos de informalidade existem: empregado informal e autônomo informal, que estão fora das proteções da CLT, conforme observam os especialistas.
Profissionais com escalas especiais, como médicos e professores, costumam não ter 40 horas semanais devido ao formato contratual. Dessa forma, a redução prevista não impactaria imediatamente essas funções, segundo Daniel Duque e Hélio Zylberstajn.
Servidores públicos, em geral, já operam dentro de limites de 40 horas ou menos. Segundo os especialistas, as regras públicas seguem estatutos específicos, não a CLT, o que reduz o risco de mudanças rápidas para esse grupo.
Segundo dados da RAIS de 2023, mais de 70% dos trabalhadores sob regime CLT têm 44 horas semanais. A expectativa é de que esse grupo seja o principal atingido pela adoção de jornadas menores, com impactos setoriais na indústria, comércio e serviços.
A indústria tem se mostrado contrária a mudanças rápidas sem estudo prévio. Em Minas Gerais, a CNI e 46 sindicatos reforçaram preocupações sobre custos, produtividade e competitividade em caso de aprovação urgente.
Fontes públicas sugerem que entidades como CNA, CNC, Fenasps e CUT ainda não se manifestaram oficialmente sobre o tema até o momento da publicação. O espaço segue aberto para declarações formais.
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