A indústria cervejeira artesanal dos EUA ficou atrás da queda do conjunto do setor, que recuou 5,7% no volume em 2025. Mesmo assim, o segmento manteve participação estável de 13,3% do mercado de cerveja, ante 13,2% no ano anterior, segundo a Brewers Association (BA).
Apesar de a produção total ter caído 5% para 21,859 milhões de barris, a rede de cervejarias independentes conseguiu sustentar a presença no mercado. Em 2025, 60% das cervejarias registraram quedas, 39% tiveram crescimento e 1% permaneceu estável.
Mudança de modelo de negócios
Os dados indicam demanda contínua por produtores independentes, mesmo com a retração do mercado. O valor de venda varejista em dólares caiu 3,6% na comparação com 2024, para 27,8 bilhões de dólares, mas o recuo foi atenuado por adoção de novos modelos de negócio, como taprooms e brewpubs, que elevam o preço médio por unidade.
Outra evolução relevante ocorre no varejo de bebidas da América do Norte, com maior participação de lojas próprias e pontos de venda diretos ao consumidor, reforçando a resiliência de marcas fortes diante de margens menores de volume.
Mercado de trabalho e estrutura setorial
A força de trabalho no segmento de craft caiu para 189 mil empregos, queda de 4% em relação a 2024. A produção recuou menos que o emprego, ajuda pela estabilidade de modelos orientados ao setor de hospitalidade e pela maior produtividade por barril.
O número de cervejarias ativas caiu para 9.578 em 2025, queda de 2,9% frente a 2024. Aberturas de novas cervejarias despencaram para 300, ante 518 em 2024, enquanto encerramentos passaram de 591 para 481, sinalizando maior maturidade do mercado.
Regiões e perspectivas
Entre as regiões, a East North Central registrou o maior dinamismo entre as divisões censitárias, com leve crescimento de 0,3%. A Pacific mostrou leve retração de 0,1%, mantendo o desempenho acima da tendência nacional.
Marcas com identidade consolidada, como Garage Beer e Outlaw, da Tivoli Brewing Company, mostraram ganhos notáveis. Tendências apontam para recuperação do apetite do consumidor por bebidas alcoólicas e para a valorização de experiências de consumo ligadas a marcas diferenciadas.
Considerações sobre o futuro
O BA aponta uma visão de demanda cautelosa, com sinais de estabilização após anos desafiadores. Ainda não é visto como um “novo normal”, mas há indicativos de que o sucesso virá de qualidade consistente, conexão humana e experiências únicas oferecidas pelas cervejarias.
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