O medo de perder bens em caso de liquidação levou Daniel Vorcaro a aportar R$ 70 milhões ao Banco Máxima, hoje Master, para obter a aprovação do Banco Central em outubro de 2019. O total de recursos usados foi de R$ 100 milhões, com a participação de outros sócios.
Segundo apurações, a estratégia foi a de apresentar capital sólido e demonstrar a origem dos recursos, após o pedido inicial ter sido recusado em fevereiro de 2019. A mudança de composição acionária ocorreu entre março e outubro de 2019.
Vorcaro, ainda sem a titularidade formal do banco, era considerado participante qualificado por possuir participação relevante e atuar como dirigente, o que, em caso de fechamento, hedaria seus bens pessoais.
Aporte, origem dos recursos e aprovação
O aporte incluiu R$ 70 milhões de Vorcaro, R$ 20 milhões de Augusto Lima e R$ 10 milhões entre Alberto Maurício Caló e a empresa 133 investimentos. A origem foi apresentada ao BC, que avaliou o capital regulatório.
O banco emisso letras financeiras subordinadas para Vorcaro e sócios, técnica aceita pelo BC para compor patrimônio de referência. Também houve empréstimo de banco da categoria S1, com fiança de outra instituição.
Contexto regulatório e desfecho
Entre fevereiro e outubro de 2019, ocorreram mudanças no comando do BC, com substituição da presidência e de diretores. A transferência de controle foi aprovada em outubro de 2019, quando o Máxima passou a ser controlado por Vorcaro.
O Máxima, à época de 3,9 bilhões de ativos, encerrou o ciclo como Master em 2021, com ativos chegando a patamar próximo de 83 bilhões em 2024. Investigações apontam desvios de ativos após a mudança de branding.
Eventos paralelos e apurações
Documentos obtidos pelo Estadão indicam que Vorcaro apelou a antigos dirigentes do BC para facilitar a transferência de controle. Investigações envolvendo outros colaboradores do BC também estão em curso, sem manifestação oficial das defesas citadas.
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