Poucos bairros de São Paulo passaram por uma transformação tão abrupta nas últimas décadas quanto a Chácara Klabin. Do território que abrigava a maior favela da cidade, o Vergueiro, o local se tornou um bairro de alto padrão com valorização de imóveis que pode superar os 20 mil reais por m².
A transição tem ligações diretas com a família Klabin, proprietária das terras desde o século XIX. O loteamento, iniciado na década de 1970, envolveu remoção de moradores e reorganização da área, criando um polo residencial hoje reconhecido pela verticalização e pelo padrão construtivo.
A história também remete a marcos culturais da região. A Casa Modernista de 1928, obra de Gregori Warchavchik, fica no entorno da área e é apontada como a primeira arquitetura moderna do Brasil. Jenny Klabin, irmã de Maurício Klabin, viveu em uma residência próxima, que hoje abriga um museu dedicado ao artista Lasar Segall.
Origem e transformação do território
No final do século 19, a região era formada por chácaras e fazendas. A ocupação initial ocorreu com imigrantes italianos, seguida por grupos de outras origens. Em 1904, Maurício Klabin adquiriu terras no local, então fora dos limites da cidade, mas com potencial imobiliário.
O núcleo familiar expandiu-se ao criar a Klabin Irmãos & Cia, que deu origem ao grupo que hoje atua nos setores de papel e imagem. Ao longo dos anos, o território ficou marcado pela presença de chácaras vazias que permitiram o surgimento de uma população de baixa renda.
Em 1969, após disputas fundiárias, houve despejo dos moradores do Vergueiro. A partir daí, a Klabin consolidou o domínio da área e deu início a um loteamento de alto padrão, que hoje compõe um dos bairros mais valorizados da cidade.
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