O Brasil atingiu o maior nível de inadimplência de empresas da série histórica, com quase 9 milhões de CNPJs negativados, segundo a Serasa Experian. A dívida acumulada dessas empresas soma R$ 213 bilhões, cenário considerado preocupante para a economia.
Mais de 90% dos inadimplentes são pequenas e médias empresas, que costumam enfrentar maiores dificuldades de acesso a crédito. Com isso, muitas recorrem a linhas de crédito mais caras, enquanto possuem capital próprio preso em recebíveis.
A antecipação de recebíveis surge como alternativa para captar capital. Nessa modalidade, valores futuros a receber, como vendas em cartão ou notas fiscais, são usados como garantia para obter crédito.
Especialista comenta cenário
Calil Gedeon, CFO da Monkey, disse que a antecipação pode oferecer taxas mais atrativas para PMEs, como CDI mais 1%, 2% ou 3%. Ele ressalta que muitos empresários desconhecem opções e tomam decisões inadequadas.
Há ainda o tema da duplicata escritural, que deve começar a operar em julho. A ferramenta pretende tornar o crédito para pessoas jurídicas mais ágil, reduzindo fricções no processo de antecipação de recebíveis.
Segundo o especialista, a duplicata escritural funciona como um cartório digital, certificando o pagamento na data acordada e aumentando a segurança para instituições financeiras anteciparem recebíveis.
Com esses mecanismos, o mercado de antecipação de recebíveis, que hoje movimenta cerca de R$ 1 trilhão por ano, poderia crescer substancialmente, estimando-se até R$ 13 trilhões, beneficiando principalmente PMEs.
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