O debate sobre papel e plástico ganhou nova dinâmica diante da pressão ambiental sobre o plástico de uso único. Empresas de embalagens passam a enxergar no papel não apenas uma alternativa, mas um caminho estratégico de sustentabilidade e diferenciação no mercado.
A Klabin afirma que o papel já é protagonista na transição, especialmente em embalagens de uso único. A companhia ressalta que o papel vem de florestas certificadas, é reciclável e integra uma cadeia de reciclagem consolidada no Brasil.
A Suzano compartilha visão semelhante e aponta que o avanço técnico permite materiais funcionais com barreiras biodegradáveis. O portfólio inclui soluções para bebidas, alimentos e e-commerce, com foco em reduzir o uso de plástico sem sacrificar desempenho.
Papel avança, mas o plástico mantém papel central
A Tetra Pak observa que o papel continua sendo a base de suas embalagens longa vida, com camadas que combinam papel, plástico e alumínio para proteção. A empresa investe em tecnologia para manter funcionalidade e reduzir impactos, inclusive com plástico derivado de cana-de-açúcar.
Entre as inovações, o mercado destaca o uso de até 91% de conteúdo renovável em algumas caixas, com certificações internacionais que atestam sustentabilidade. A ideia é ampliar a economia circular sem perder segurança alimentar.
O que o papel já entrega e onde encontra limites
Avanços como o Klamulti, da Klabin, fortalecem a resistência de embalagens de papel com menor gramatura. Produtos para alimentos resistem a gordura e umidade, com opções que são recicláveis, biodegradáveis e compostáveis.
Ainda assim, limitações existem. Em aplicações com alta barreira à umidade e gordura, o papel precisa de revestimentos específicos, e o plástico pode sair mais econômico em certos casos.
Braskem alerta para equilíbrio e impactos
Braskem destaca estudos que indicam que o plástico pode apresentar menor emissão de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida em várias aplicações. A companhia ressalta também a importância da cadeia de reciclagem, onde o plástico sustenta renda de cooperativas.
A empresa reforça que a substituição completa não é imediata e defende a circularidade, com resinas renováveis e projetos que reduzem emissões. O objetivo é combinar materiais de forma mais eficiente e sustentável.
Regulação e perspectivas para o futuro
No Brasil, o Decreto 12.688/2025 avança com logística reversa e conteúdo reciclado pós-consumo em embalagens plásticas. O objetivo é consolidar responsabilidade compartilhada e ampliar a recuperação de resíduos.
Analistas apontam que o ambiente regulatório precisa andar junto com inovação para estimular escalas de produção e transição gradual. A expectativa é que o equilíbrio entre papel e plástico opere onde cada material tem vantagem.
Conclusão provisória
Não há vencedor único no debate. O cenário aponta para convivência entre papel e plástico, com migração gradual em aplicações viáveis tecnicamente e economicamente. A solução provável envolve escolher o material mais eficiente para cada função.
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