Daniel Vorcaro tentou comprar o Banco Máxima, instituição que originou o Master, usando um embrião de ciranda financeira conforme documentos do Banco Central. O BC chegou a propor veto em fevereiro de 2019, citando dificuldades em comprovar a origem de recursos.
Segundo os documentos, os recursos usados para a compra das ações de Saul Sabbá, então controlador do Máxima, somaram 40 milhões de reais. Aportes adicionais de Vorcaro, de 48,1 milhões e 22,5 milhões, teriam tido origem na Viking Participações.
O BC considera que houve circularização de recursos entre empresas ligadas, sem entrada de capital externo. Técnicos apontaram que parte dos valores veio de transferências entre a própria instituição, Vorcaro e fundos de investimento vinculados ao controlador.
A Viking Participações, relatada nos papéis, teve investimentos relevantes em 2016, incluindo participações em WWS e Superávit, com valorização de imóveis que levantaram questionamentos sobre a consistência contábil dos ativos.
O processo mostra mudanças na estrutura da operação: em 2017, a compra passou a envolver aporte de outros investidores, com percentuais — entre 1,75% e 10% — distribuídos entre vários participantes.
A avaliação de que o Máxima enfrentava dificuldades financeiras explica, em parte, a demora na aprovação. O BC avaliou que a origem dos recursos não estava claramente comprovada, conforme voto do diretor responsável.
Além disso, o histórico aponta que, de 2017 a 2019, o Plano de aquisição sofreu alterações de pagamento, incluindo transição de valores em dinheiro para cotas de fundos. O BC manteve o foco na regularidade das fontes de capital.
Ao longo do processo, Vorcaro não forneceu elementos que elucidassem a origem dos recursos de modo inequívoco, segundo o voto do BC. A defesa de Vorcaro não se manifestou quando solicitada.
O caso envolve investigações da Comissão de Valores Mobiliários sobre operações ligadas ao Brazil Realty, fundo de investimento imobiliário, com questões de avaliação de ativos e transparência nas operações do grupo Master, hoje sob escrutínio.
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