Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), disse que a instituição continuará fazendo o que for preciso para trazer a inflação de volta a 2% no médio prazo e manter a estabilidade de preços na zona do euro. Ela ressaltou a necessidade de cautela antes de decisões firmes de política monetária, diante da incerteza atual do cenário econômico.
Lagarde afirmou que o choque nos preços do petróleo, induzido pela disrupção na oferta, traz incerteza relevante para o BCE. Se o conflito entre Estados Unidos e Irã se resolver rapidamente, o impacto inflacionário pode ser menor; caso contrário, a normalização tende a demorar mais.
Incerteza no cenário e impacto energético
A dirigente destacou que, no curto prazo, não há sinais fortes de disrupção generalizada em cadeias de suprimento, tanto globalmente quanto na zona do euro. Ainda assim, tensões localizadas já se manifestam: preços de combustível de aviação dobraram desde o início do conflito e houve racionamento em alguns aeroportos desde abril.
Ela observou que famílias e empresas podem estar mais sensíveis a novos aumentos de custos, com energia mais cara e confiança do consumidor em queda. O crescimento moderado pré-conflito aumenta a pressão para evitar pressões sobre preços e salários.
Espaço fiscal e cautela nas medidas
Lagarde reforçou que o espaço fiscal deteriorou desde a pandemia. Governos que buscam amortecer choques para todos os setores podem comprometer a sustentabilidade fiscal a longo prazo, segundo a presidente. Por isso, a cautela continua presente na condução da política monetária.
A dirigente destacou, ainda, que os riscos para a trajetória da inflação permanecem, exigindo vigilância constante e critérios rigorosos para qualquer ajuste na política monetária. A mensagem central é manter a estabilidade de preços com ações proporcionais às informações disponíveis.
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