O Brasil registrou mais de 25 mil patentes de invenção em 2023. A leitura inicial é de dinamismo, mas o panorama indica fragilidade na passagem da invenção ao valor econômico. A maioria das patentes é de origem estrangeira, segundo relatório do Observatório de Inovação e Empreendedorismo do Insper.
Entre as nacionais, universidades e institutos de pesquisa são as maiores produtoras. Em 2024, 37 dos 50 maiores depositantes eram acadêmicos, frente a 11 empresas. A conclusão é de que o país gera conhecimento, mas tem dificuldade para comercializar.
Essa assimetria é explorada pela imprensa especializada, que aponta o desalinhamento entre produção de conhecimento e transformação em negócios. Invenção é criação; inovação é aplicação com impacto econômico mensurável.
Invenção versus inovação
Invenção envolve criação técnica, protótipo ou patente. Inovação aparece quando essa criação é inserida na prática e gera resultados, como receita, eficiência ou vantagem competitiva. Sem impacto econômico, não há inovação.
Aplicando a ideia de Schumpeter, a inovação requer novas combinações na economia real. Produtos, processos, mercados, insumos ou formas de organização entram nesse eixo. Inovação é fenômeno econômico e organizacional, não apenas tecnológico.
Desafios estruturais no Brasil
O problema não é apenas a geração de conhecimento, mas a sua efetiva transformação em valor. O sistema atual não integra universidades, pesquisa e mercado, o que gera desperdício de conhecimento e subutilização de talentos.
Os modelos de gestão tradicionais tratam a inovação como iniciativa paralela. Ideias surgem fora do fluxo principal e precisam (ou não) de adesão à operação cotidiana, o que evita impactos reais.
Caminhos para a mudança
Sugere-se colocar a inovação no centro da estratégia, com conexão às prioridades do negócio. Ampliar a colaboração com universidades e startups, desenvolver lideranças com visão sistêmica e liberar tempo para experimentação disciplinada.
Também é citada a necessidade de métricas que integrem desempenho financeiro e aprendizado, além de usar IA para acelerar a aplicação, não apenas a criação. A ideia central é qualificar o sistema de gestão da inovação.
Conclusão implícita
A lacuna é de gestão da inovação, não de criatividade. Sem transformar conhecimento em aplicações concretas, o Brasil manterá produção intelectual que não gera vantagem competitiva. A mudança depende de abordagem integrada e decisões estratégicas.
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