A associação brasileira ligada à energia eólica aponta que o recuo americano na geração offshore pode abrir oportunidades para o Brasil. A fala partiu de Elbia Gannoum, presidente-executiva da Abeeólica, ao comentar o efeito de contratos cancelados pelos EUA no setor que ainda não opera comercialmente no Brasil.
Segundo Gannoum, o setor offshore, que usa turbinas em ambiente marinho, pode impulsionar cadeias industriais no país e ampliar investimentos. A suspensão de concessões de grandes projetos offshore foi anunciada pelo governo de Donald Trump no fim do ano passado.
No mesmo período, o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) divulgou seu relatório anual, apontando recordes de expansão global. Foram 28,4 mil novas turbinas em 57 países, com 165 GW adicionais de capacidade. A China foi a principal contribuição desse crescimento.
No Brasil, a oportunidade de recuperação aparece diante do recuo nos EUA, enquanto o espaço onshore enfrenta excesso de energia solar no sistema elétrico. O setor eólico onshore responde por cerca de 16% da geração, em meio a cortes de geração por desbalanceamento entre fontes.
Gannoum cita a necessidade de segurança jurídica para atrair investimentos no offshore, especialmente pela complexidade de estudos de viabilidade, licenciamento ambiental e prazos de oito a dez anos para implantação. A nova lei 15269/2025 é sugerida como mecanismo de garantia.
A executiva afirma que o crédito estratégico para o offshore depende de garantias contra prejuízos com o chamado curtailing, quando turbinas são desligadas por falta de demanda. Considera-se essencial a regulamentação para atrair capitals de longo prazo.
Roberta Cox, diretora-presidente da CEM, destaca que o offshore pode impulsionar diversas cadeias, incluindo construção e manutenção de turbinas. Ela ressalta o menor impacto ambiental comparado a plataformas de petróleo como vantagem estratégica.
Na prática, países europeus já lideram offshore, com Reino Unido na dianteira e Espanha na onshore. Cox mencionou que o Brasil tem condições de se tornar referência no hidrogênio verde produzido a partir do excedente de energia offshore, se avançar com planejamento e mercado estável.
Gannoum e Cox seguiram para Madri, para a WindEurope, evento que reúne a indústria eólica europeia. A dupla participa do encontro entre 21 e 23 de abril, em meio a discussões sobre cenários de investimento e tecnologias para o setor.
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