Empresas que investem em IA para reduzir quadros e automatizar tarefas tendem a apresentar queda de produtividade no longo prazo, aponta estudo da Harvard Business Review. A pesquisa, com 1.294 profissionais de EUA, Canadá e Reino Unido, foi publicada nesta semana.
O levantamento abrange 19 setores, com ênfase em tecnologia, serviços financeiros, saúde, varejo e serviços. 62% dos participantes entendem que IA amplia suas capacidades, enquanto 34% associam a automação à redução de empregos. Apenas 44% disseram ter recebido comunicação formal sobre planos de IA.
Há também desalinhamento entre líderes e funcionários. 81% dos executivos acreditam que a estratégia é de augmentation, enquanto 53% dos trabalhadores compartilham essa percepção. Entre eles, 40% temem demissões.
Automação x potencialização
Autores identificam duas trajetórias. A automação substitui tarefas humanas por IA para reduzir custos; a augmentation usa IA para elevar habilidades, permitindo tarefas de maior valor.
Casos recentes ilustram os modelos. Dorsey demitiu mais de 4 mil funcionários da Block citando IA; Kaufman, do Fiverr, afirmou que IA liberaria pessoas para funções que exigem julgamento humano.
As seis fases da curva
A pesquisa aplica a Curva J da Produtividade de Brynjolfsson. Na automação, há um J invertido: resistência, demissões, workslop, alta rotatividade, enfraquecimento da marca empregadora e esvaziamento de liderança.
Na via da potencialização, as fases se invertem: confiança aumenta, bem-estar eleva produtividade, workslop diminui, retenção cresce, reputação atrai talentos e pipelines de liderança se fortalecem.
Dados preliminares indicam que funcionários que percebem a potencialização relatam 32% menos intenção de deixar a empresa.
Compromisso real
Autores ressaltam que a via da potencialização exige compromisso com a força de trabalho existente, mesmo que isso represente maior desafio inicial. Programas de requalificação e co-desenvolvimento de ferramentas de IA são citados como caminhos viáveis.
Exemplos citados incluem a Aon, que foca em letramento digital para evitar demissões, e a Microsoft, que sob liderança de Satya Nadella investiu em transformação cultural e requalificação contínua.
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