O estudo divulgado pelo Banco Inter avalia os efeitos da proposta de reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais e do fim da escala 6 X 1 sobre a economia brasileira. A projeção aponta queda de 0,82% do PIB no médio prazo, mesmo reconhecendo impactos sociais positivos da medida. A avaliação considera cenários de adaptação das empresas e de alterações na produtividade.
Segundo a análise, a queda pode ser neutralizada se houver um aumento agregado de produtividade de 0,47%. O estudo ressalva que não trabalha com um horizonte temporal fixo, mas compara o equilíbrio atual com o que ocorreria após a implementação completa.
A construção civil aparece como o setor com maior retração, estimada em 2,14% do PIB. Em seguida surge a indústria de transformação, com queda prevista de 1,87%. Entre os setores mais impactados estão atividades de vigilância e fabricação de calçados e autopeças, pelos efeitos indiretos de insumos mais caros.
Impactos por setor
O setor de atividades imobiliárias surge como exceção, com ganho projetado de 0,9%, puxado pela realocação do consumo e maior procura por moradias. Em contrapartida, a vigilância, por ser mais formalizada, pode enfrentar aumento de custos, estimado em 5,5%. Já atividades artísticas devem registrar alta de 0,8%.
Dados indicam que segmentos que exigem mais investimento em quadro de pessoal e atendimento diário sofrerão mais com a mudança. A saúde pública, por exemplo, pode ver custos aumentarem em torno de 2%. O estudo também aponta que flutuações de preços não são garantidas apenas com alta de custos.
A equipe técnica do Inter ressalta que a trajetória de produtividade depende de fatores como infraestrutura, formação de capital humano, flexibilidade do mercado de trabalho, abertura da economia e reformas. A reforma tributária é citada como instrumento que pode facilitar ganhos de eficiência ao longo de uma década de transição.
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