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Como a weaponização do dinheiro está reprecificando ouro, dólar e Bitcoin

A weaponização do dinheiro redefine o valor de ouro, dólar e bitcoin, ressaltando a importância de ativos neutros e resistentes a bloqueios

Pedro C. Saraiva, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)
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Nem tudo continua como antes no campo monetário. A weaponização do dinheiro ganha espaço como fator de pressão geopolítica, redefinindo a percepção de valor de ativos como ouro e bitcoin. O dólar, apesar de manter papel central, enfrenta novos riscos de cooperação ou coerção financeira entre nações.

Observa-se que governos e bancos centrais passaram a usar moedas, reservas internacionais e sistemas de pagamento como instrumentos de poder. Esse cenário eleva a atratividade de ativos menos vulneráveis a controles externos, como ouro e criptomoedas com autocustódia, em meio a tensões globais.

Contexto histórico e ações recentes

O Irã convive com sanções dos EUA desde 1979, muitas vezes associadas a congelamento de ativos e restrições financeiras. A Rússia viu reservas bloqueadas e bancos excluídos do Swift após a invasão da Ucrânia, em 2022, impulsionando estratégias de segurança financeira.

Em novembro de 2022, o Banco Central da China retomou robustas compras de ouro, ampliando suas reservas. O movimento ocorreu após sanções ocidentais que atingiram a Rússia, reforçando o papel do ouro como ativo de reserva.

Movimentos de mercado e choque de portfólio

Cidadãos passaram a buscar alternativas diante de restrições financeiras e riscos de apreensão. Ativos digitais surgem como opção pela mobilidade e autocustódia, salientando o papel do bitcoin em contextos de crise e sanções.

Após ataques em 28 de fevereiro de 2026, saídas de cripto de corretoras iranianas dispararam, estimadas em cerca de US$ 10,3 milhões em dias recentes. Recursos migraram majoritariamente para carteiras pessoais e exchanges estrangeiras.

Implicações para ativos e políticas

Especialistas apontam que a weaponização do dinheiro altera critérios de precificação. Reservas internacionais podem sofrer congelamentos, enquanto bancos ficam expostos a exclusões do sistema de pagamentos. A demanda por neutralidade política e resistência a bloqueios cresce.

O ouro se beneficia pela historicidade e menor dependência da infraestrutura dolarizada. O bitcoin ganha relevância pela escassez, portabilidade e autocustódia em um ambiente de maior tensão geopolítica. O dólar, apesar de ainda dominante, enfrenta incentivos à diversificação de reservas.

Perspectivas

A dinâmica sugere uma reprecificação de ativos monetários, com maior valorização de instrumentos menos sujeitos a coerção. Neutralidade, mobilidade e independência aparecem como atributos-chave para investidores, governos e clientes em cenários de conflito ou sanções.

O panorama atual indica que tanto governos quanto indivíduos poderão buscar maior variedade de ativos respeitando regras de segurança, transparência e veracidade das informações, sem extrapolar fronteiras éticas ou legais.

*Por Pedro C. Saraiva, economista e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)*

*Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.*

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