O seguro de automóveis continua sendo o principal produto do segmento de danos e responsabilidades no Brasil, respondendo por 42,6% da arrecadação do setor. Em 2025, o ramo movimentou R$ 61,6 bilhões, com alta de 6,8% frente a 2024, segundo Susep e CNseg. A penetração na frota permanece em torno de 30%, cerca de 20 milhões de veículos, revelando um teto histórico que não acompanha a evolução do parque circulante.
A frota brasileira tem mudado rapidamente, impulsionando novos riscos e tecnologias. No 1º trimestre de 2026, o BYD Dolphin Mini, 100% elétrico, liderou as vendas no varejo, conforme Fenabrave e Jato Dynamics. Marcas novas ampliaram participação de mercado de 8% para 16% em três anos.
Aumentam também os veículos com blindagem, que atingiram 40 mil unidades em 2025, contra 20 mil em 2021. Esse crescimento eleva a complexidade de precificação e reparo, conforme Rafael Ramalho, vice-presidente de auto da HDI, destacando a diversidade tecnológica dos automóveis.
Para romper a estagnação de cobertura, o setor diversifica o portfólio. Em seguros de até cerca de R$ 200, a assistência 24 horas já é comum; coberturas mais completas podem chegar a R$ 40 mil, dependendo do veículo e da região, segundo Marcelo Bechara, Tokio Marine.
A entrada de associações de proteção veicular (APVs), integradas à regulação da Susep desde 2025, gera novas oportunidades. Saint’Clair Lima, Bradesco Seguros, afirma que o modelo, que já cobria até 8% da frota, passa a constar do radar das seguradoras, ampliando a base de clientes.
A oferta tem ficado mais flexível. Seguros que cobrem apenas trechos de estrada ao passar por pedágios já estão presentes no mercado, conforme Keila Farias, FenSeg. A pauta inclui também a expansão para nichos antes recusados, como esportivos e carros blindados com até cinco anos de uso.
Além dos veículos, o aumento da sofisticação tecnológica elevou o valor segurado. Até 2023, a importância máxima segurada rondava R$ 600 mil; hoje chega a R$ 2 milhões, permitindo cobrir modelos de alto valor e blindados, segundo Rafael Ramalho.
A frota diversificada impõe novos riscos, incluindo aspectos climáticos e a cadeia de suprimentos. Fábio Morita, Allianz, aponta maior custo de oficinas devido à falta de peças, levando as seguradoras a investir em serviços, como carro reserva por até 45 dias e inclusão de modelos de luxo.
A transição para veículos elétrificados e com sistemas avançados de assistência tecnológica também altera a sinistralidade. Felipe Barranco, WTW, afirma que o histórico de sinistros ainda é recente e as seguradoras coletam dados para ajustar precificação.
Pelo avanço de IA, seguradoras adotam soluções que reduzem custos e aceleram vistorias. Keila Farias cita vistorias pelo celular com orientações de foto, enquanto a Allianz amplia o carro reserva em caso de sinistro. A tecnologia também facilita a aprovação de orçamentos.
Na avaliação de risco, o tempo para decidir a aceitação de um segurado caiu de quatro horas para cerca de uma hora e meia. Morita destaca que as tarifas passaram a considerar bilhões de variáveis, substituindo perfis genéricos de risco.
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