O Bank of England sinalizou que os mercados de ações podem recuar globalmente, afirmando que os preços atuais não refletem os diversos riscos que a economia mundial enfrenta. A constatação foi feita pela vice-governadora Sarah Breeden, em entrevista à BBC.
Breeden, que também lidera a área de estabilidade financeira do banco, explicou que observou uma discrepância entre o otimismo de mercado e fatores de risco ainda presentes. Ela não indicou quando a queda ocorreria nem o seu tamanho.
Ela afirmou ainda que preocupa a possibilidade de vários riscos se cristalizarem ao mesmo tempo, como choques macroeconômicos, atrito na confiança em crédito privado e reajustes de valuations associadas à IA. O cenário, segundo ela, exigiria preparação do sistema financeiro.
No cenário global, o mercado acionário norte-americano tem registrado novas máximas, impulsionado por empresas de tecnologia e pela aposta em infraestrutura de IA. Mesmo com avisos sobre um possível choque energético, o mercado de ações dos EUA segue em trajetória de altas.
A desaceleração de fundos que atuam como bancos privados, que chegaram a restringir saques de investidores, também é apontada pela autoridade como sinal de vulnerabilidade no sistema financeiro. Breeden destacou que o crescimento do crédito privado não tem sido testado em larga escala.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 também está próximo de seus recordes, ainda que não haja a mesma concentração de empresas de IA presentes nos EUA. A vice-governadora ressaltou que seu papel não é prever o momento de queda, mas garantir a resiliência do sistema financeiro.
Breeden reforçou que a prioridade é entender como as quedas de preço podem ocorrer e qual seria o impacto econômico. Ela destacou que a análise não aponta para um prazo específico, mas foca em preparar o sistema para eventualidades.
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