O varejo alimentar já observa mudanças no comportamento do consumidor diante do uso ampliado de “canetinhas” ligadas à saúde e ao bem-estar. O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, afirmou que esse movimento leva supermercados a acompanhar como as escolhas dos clientes mudam e a considerar ajustes no mix de produtos. As mudanças estão em estágio inicial, mas já são monitoradas com maior foco em dados e informações para orientar decisões de portfólio.
Dados da Abras indicam que o consumo nos lares brasileiros cresceu 3,2% em março na comparação com o mesmo mês de 2023. O indicador ainda registrou alta de 6,21% ante fevereiro e fechou o primeiro trimestre com ganho acumulado de 1,92%. A mobilização ocorreu em meio à proximidade da Páscoa e ao efeito calendário de fevereiro.
Consumo em março
A associação aponta que a antecipação de compras para a Páscoa e a menor quantidade de dias em fevereiro contribuíram para o desempenho. Parte relevante do consumo esteve concentrada na última semana de março, com maior disponibilidade de renda proveniente de programas sociais e restituições.
Abrasmercado
O Abrasmercado, indicador de variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo, subiu 2,20% em março, o mais intenso do trimestre. Em fevereiro houve alta de 0,47% e em janeiro queda de 0,16%. O valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54 no mês.
Perspectivas para o setor
Para os próximos meses, o cenário apresenta risco de alta em parte dos alimentos, principalmente itens sensíveis a frete, clima e oferta. Milan aponta que a alta do petróleo e o encarecimento do transporte elevam o custo de reposição em cadeias com logística mais complexa, o que pode ser repassado aos preços de alimentos.
A Abras também aponta suporte ao consumo no segundo trimestre por meio de medidas como a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e o pagamento de restituições do Imposto de Renda, que tendem a reforçar a renda disponível das famílias.
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