O El Niño mais forte em uma década deve intensificar o calor e a seca na segunda metade de 2026, afetando colheitas e estoques de alimentos. A previsão aponta 70% de chance de surgir no verão do hemisfério norte, com impactos ainda incertos na Ásia, África e Américas.
A agência meteorológica do Japão cita 70% de probabilidade de aparecimento neste verão. Autoridades chinesas veem o fenômeno persistindo até o fim do ano, enquanto a Índia projeta chuvas de monções abaixo da média pela primeira vez em três anos. O fenômeno pode agravar a escassez de fertilizantes.
Mercados e agricultores já enfrentam desafio com o custo de insumos. A Guerra no Irã reduz tráfego pelo Estreito de Ormuz, afetando o fornecimento mundial de ureia e elevando preços de fertilizantes e combustível. A situação amplia a pressão sobre safras e renda rural.
Impactos regionais: seco na Oceania e na Ásia
Na Austrália, partes de Nova Gales do Sul e Queensland já vivem secas, levando produtores a reduzir plantio de trigo e canola. Pat Ryan, agricultor, relata queda de chuva e atraso na temporada. Previsões apontam continuidade de tempo seco nos próximos meses.
O Sudeste Asiático também pode sentir menor rendimento de óleo de palma e arroz. Especialistas destacam que quedas de 5% a 12% na produção costumam ocorrer com El Niño mais intenso, impactando grandes produtores como Malásia e Indonésia.
Perspectivas para outras regiões e insumos
Na Índia, monções entre junho e setembro devem ficar aquém da média, afetando culturas de verão como arroz, algodão e soja. O solo também perde umidade para as safras de inverno, como trigo. Analistas sinalizam possibilidade de seca severa em meses críticos.
Na China, maior importador de alimentos, o efeito varia por região, com risco de inundações no sul que podem prejudicar arroz e vegetais. Especialistas ressaltam que o país costuma sentir impactos menos intensos que outras regiões.
Desdobramentos para o fornecimento global
Chuva excessiva em parte da Europa e dos EUA pode compensar perdas na Ásia durante a colheita de milho e soja, mas inundações também elevam o risco de danos à qualidade dos grãos. Outros fatores, como a volatilidade de fertilizantes, seguem como risco adicional à produção mundial.
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